Ex-caixeiro viajante vai ao nordeste, mas agora para construir fábrica

Para ficar mais perto do consumidor nordestino, fundador da General Brands faz em Alagoas o maior investimento de sua história

Lílian Cunha, de O Estado de S. Paulo,

26 de setembro de 2011 | 16h10

Caixeiro viajante é uma palavra fora de moda. Hoje, o que se diz é representante comercial. Mas o empresário Isael Pinto, presidente da General Brands, tem orgulho de usar a expressão antiga. Em 1995, quando fundou a companhia, que fabricava refresco em pó com máquinas de segunda mão, ele saiu como um caixeiro viajante pelo País. Com uma maleta cheia de envelopes de suco em pó, oferecia o produto no pequeno comércio de cidadezinhas do Amazonas ao sertão do Nordeste. Agora, 16 anos depois e com uma empresa que fatura R$ 200 milhões, ele volta a investir nas regiões onde começou.

"Vamos investir R$30 milhões em uma nova fábrica, só para atender o Norte e o Nordeste", diz. A unidade será construída em Rio Largo, cidade da região metropolitana de Maceió.

A General Brands, que tem sede em Guarulhos, vende seus produtos em todo o território nacional. Mas tem enfrentado um problema logístico. Enquanto sua maior rival, a Kraft Foods, fabricante do refresco Tang, tem duas fábricas no Nordeste, os produtos da General Brands precisam viajar pelo menos dois mil quilômetros para chegar aos pontos de venda da região.

Frete. "Pagamos um frete que equivale de 20% a 25% do preço final do produto", diz o empresário. "Esse custo de frete é monumental e come toda a competitividade da marca na região", diz o especialista em varejo Eugênio Foganholo, da Mixxer.

A unidade começa a produzir em janeiro. Os primeiros produtos serão sucos em pó, chicletes e bebidas mistas de frutas. Em setembro, inicia-se a linha de sucos prontos para beber. "O Nordeste representa 14% das nossas vendas", afirma o fundador da General Brands.

A nova fábrica faz parte dos planos da empresa de triplicar as vendas até 2015. "O brasileiro bebe 2,9 litros de néctares por ano. É muito pouco: na Argentina e no Chile, a média é de 17 litros. No Nordeste, o consumo é menor ainda: não chega a 1,5 litro. Isso mostra quanto terreno ainda há para crescer", diz.

O financiamento do projeto será feito pelo Banco do Nordeste e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A empresa entra com 40% do capital.

Dona das marcas Camp e Top Orange, a General Brands também fará a maior campanha de marketing desde a sua fundação. O objetivo é aumentar a participação no mercado nacional. A companhia, que tem 6% das vendas de sucos prontos e 7% das de bebidas em pó, conforme a Nielsen, está investindo R$ 2 milhões em uma campanha que começa dia 25, com inserções comerciais em todos os canais de TV aberta.

O empresário também se prepara para entrar em novos segmentos: "Vamos lançar no ano que vem linhas de sopas e achocolatados", afirma.

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