Lu Prezia - 22/9/2021
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Ex-operário, Jorge Bischoff chega a 90 lojas de sua grife e quer acelerar expansão em 2022

Com perspectiva de faturar R$ 121 milhões, empresário gaúcho vai abrir mais 15 unidades até o fim do ano e já fala em recorde de aberturas em 2022; para 2023, meta é acelerar as vendas para o exterior

Wesley Gonsalves e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2021 | 05h00

Da infância nas fábricas de sapato até a criação da sua própria marca, o estilista Jorge Bischoff traçou um longo caminho no mercado calçadista. Hoje um dos principais nomes do segmento premium, o empresário gaúcho vem trabalhando, em meio à pandemia, para expandir seu modelo de franquias. Com a previsão de fechar o ano com 15 novas lojas, ele se prepara para acelerar a expansão em 2022. “Tenho a impressão de que vamos ter um recorde de aberturas no ano que vem.” 

No ano em que a Jorge Bischoff chega aos 18 anos, o empresário alcançará a marca de 90 lojas pelo País. Em paralelo, também comanda a Loucos & Santos, marca caçula do grupo, especializada em venda para sapatarias multimarcas e que pratica preços cerca de 40% abaixo dos valores do negócio principal.

A previsão da companhia é de alcançar R$ 121 milhões em vendas em 2021, crescimento de 42% em relação ao ano anterior, com 1,6 milhão de peças produzidas. Já para 2022, a meta é alcançar um total de 2,2 milhões de pares de sapatos.

Filho de operários da indústria calçadista, Bischoff teve seu primeiro emprego em uma fábrica aos 12 anos e, ao longo da vida, participou de todas as etapas de produção de um calçado. Após chegar a ter fábrica própria, o estilista decidiu se especializar no desenvolvimento de produtos – abrindo um estúdio de design que desenvolvia coleções para outras marcas. “Nasci no meio do couro e da cola de sapato. Geralmente as crianças brincam de outras coisas, eu brincava no chão da fábrica onde eu cresci.”

Foi nessa época, graças à sugestão de um jornalista especializado no setor, que ele teve a ideia de montar a própria grife. E decidiu que os calçados levariam seu nome. “Primeiro eu pensei: imagina, um alemãozinho do Rio Grande do Sul, esse nome difícil... Mas decidi ir em frente”, lembra.

Disputando o espaço com Arezzo e Schutz, o estilista gaú-cho se diferenciou de outras franquias que buscam o mesmo público, afirma o consultor de mercado calçadista Luciano Pires Cerveira. “O Bischoff construiu uma identidade própria no design. Existem outros nomes do setor, mas eles estão abaixo tanto em posicionamento de marca quanto em preço.” 

De acordo com Bischoff, o preço médio dos produtos gira em torno de R$ 350 a R$ 400. Alguns produtos exclusivos, em couro de animais exóticos ou cravejados de pedrarias, podem custar até R$ 6 mil – caso de uma bota de cano alto, feita de couro de cobra píton, e malas de viagem com o monograma da marca.

Exterior

Embora os dois próximos anos devam ser dedicados à expansão no País, Bischoff já vislumbra uma aceleração das vendas no exterior a partir de 2023. Hoje, a grife é vendida em 700 lojas em 60 países. Segundo o estilista, as exportações representam hoje aproximadamente 20% das vendas totais. 

Bischoff já pensa em buscar investidores que sustentem, as metas de longo prazo, seja com a ida à Bolsa ou por fundos de private equity (que compram fatias em empresas). “Não adianta achar que não vou vender uma parte da empresa, porque em algum momento isso será inevitável.” 

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