Executivo-chefe da Pimco avalia como Lagarde deve salvar o FMI

Em artigo, Mohamed El-Erian defendeu que nova diretora-gerente do FMI deve 'restaurar a separação que deve haver entre o cargo e as ambições políticas de quem o ocupa'

Luciana Antonello Xavier, da Agência Estado,

28 de junho de 2011 | 18h14

O executivo-chefe da Pacific Investment Management (Pimco, maior gestora de investimentos em renda fixa do mundo), Mohamed El-Erian, analisa, em artigo publicado na edição desta terça do Financial Times, como a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, nomeada nesta terça-feira, 28, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), substituindo Dominique Strauss-Kahn, pode "salvar o FMI".

"Primeiro, ela deve restaurar a separação adequada que deve haver entre o cargo e as ambições políticas de quem o ocupa. Essa distinção foi desgastada nos últimos anos pela decisão da Europa de designar políticos (Strauss-Kahn e Rodrigo de Rato) e, essencialmente eliminada com a visão de que Strauss-Kahn estava usando a posição para abrir caminho para a presidência da França."

De acordo com El-Erian, Lagarde não deve protelar a tarefa de estabelecer um processo de seleção legítimo para a escolha do próximo diretor gerente, baseado no mérito e não na nacionalidade.

El-Erian disse que "Lagarde deve reforçar o compromisso de uma meritocracia eliminando escolhas feitas a partir da nacionalidade. Ela deve começar com a substituição de John Lipsky". Lipsky, que ficou no lugar de Strauss-Kahn quando este foi preso em Nova York acusado de crimes sexuais, já havia anunciado sua intenção de sair do FMI dias antes de DSK ser preso.

O executivo disse ainda que Lagarde deve fortalecer o vigor analítico da resposta do FMI à crise da dívida da zona do euro, reconhecendo que o papel da instituição nos resgates de países da Europa periférica foi "excessivamente influenciado por consideração políticas".

El-Erian afirmou também que Lagarde deve preparar o balanço do Fundo para o risco de algum prejuízo financeiro futuro por causa dos empréstimos massivos feitos no último ano, em particular à Grécia.

"Finalmente, Lagarde deve restaurar a imagem pública da equipe do FMI. A surpreendente prisão de Strauss-Kahn deu combustível para ataques que são inconsistentes com a dedicação mostrada pela talentosa equipe da instituição", completou.

Tudo o que sabemos sobre:
PIMCOlagardeMohamed El-Erianfmi

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.