Executivo da Volkswagen define termos para fusão com Porsche

O presidente do conselho da Volkswagen formulou os termos para uma fusão da empresa com a Porsche, em um claro sinal de que a maior montadora europeia ganhou vantagem em na disputa de poder com a rival de menor porte.

JAN CHRISTO, REUTERS

12 de maio de 2009 | 14h18

Embora controle mais da metade da Volkswagen, a endividada Porsche teve seu plano de comprar a concorrente arruinado pela crise financeira.

Agora que a jogada para assumir a Volkswagen fracassou, a Porsche está lutando para ter influência em uma união com a terceira maior montadora do mundo e seu conjunto de marcas que vai da própria Volkswagen a Bugatti e Lamborghini.

Em discurso a jornalistas durante lançamento de veículo na noite de segunda-feira, o presidente do conselho da Volkswagen, Ferdinand Piech, nomeou o presidente-executivo da montadora alemã, Martin Winterkorn, seu candidato para comandar a companhia resultante da fusão.

Ele acrescentou que é improvável que o presidente-executivo da Porsche, Wendelin Wiedeking, fique satisfeito em assumir um papel mais "modesto" no grupo ampliado. Esse tipo de comentário de Piech, que também é um importante acionista na Porsche, já encerrou carreiras de outros executivos da companhia.

Piech também minimizou as chances do vice-presidente financeiro da Porsche, Holger Haerter, assumir um posto importante no grupo. Para o executivo da Volkswagen, o diretor financeiro da empresa, Hans Dieter Poetsch, é mais digno de confiança.

A Porsche se recusou a comentar as declarações de Piech.

Piech revelou que já foi decidido que a matriz do novo grupo ficará na sede da Volkswagen, em Wolfsburg, na Alemanha.

Ele alertou que a Porsche precisa primeiro ter os 9 bilhões de euros (12,3 bilhões de dólares) em dívidas sob controle, antes de fechar o acordo.

"Eu não posso imaginar que a Volkswagen assumirá o risco de outra companhia", declarou Piech, acrescentando que não é a favor de vender uma fatia da montadora de carros de luxo para outro investidor.

Os comentários de Piech demonstram como o jogo se inverteu para a Porsche depois de uma audaciosa oferta de aquisição proposta por Wiedeking e Haerter foi revelada.

"Caso ninguém tenha percebido, Piech está deixando claro hoje que ele é o vitorioso", disse um analista que pediu para não ser identificado.

Para Piech, a fusão, na qual ambas as empresas afirmam querer finalizar dentro de quatro semanas, representa a chance para ele de ampliar o controle sobre a Volkswagen e a Porsche.

Ele e seu irmão, que juntos controlam pouco mais de 25 por cento da Porsche, tem travado uma disputa com seus primos e outros donos do clã rival da Porsche.

Ser absorvida no império da Volkswagen significaria à Porsche reduzir seu status de montadora para mais uma marca entre 10 do grupo.

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