Executivos do Brasil e dos EUA se reúnem com Bush por negócios

Executivos de peso do Brasil e dosEstados Unidos se reunirão em Washington a partir de domingopara discutir como os governos dos dois países podem incentivaro comércio e os investimentos, informou nesta quinta-feira umfuncionário do Itamaraty. O chamado "CEO Fórum" é uma iniciativa do embaixadornorte-americano no Brasil, Clifford Sobel, surgida a partir deum fórum semelhante feito entre EUA e Índia. Haverá um encontro de duas dezenas de executivos com opresidente norte-americano, George W. Bush, na Casa Branca nasegunda-feira, além de reuniões bilaterais com ministros. Dez CEOs de cada país, de empresas brasileiras cominteresses nos EUA, como Vale, Embraer, Coteminas, Banco Safra,Gerdau, Cutrale e Camargo Correa, participarão, além de nomesconhecidos como Craig Barrett, da Intel, e Bill Rhodes, doCitibank. Presidentes ou presidentes de conselho de grandes empresasnorte-americanas com investimentos no Brasil, como Alcoa,General Motors, Cargill e Coca Cola, também devem comparecer. Pelo governo brasileiro participa a ministra da Casa Civil,Dilma Rousseff, e o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge.Do lado norte-americano, representa a Casa Branca AllanHubbard, principal assessor econômico de Bush, e o secretáriode Comércio, Carlos Gutiérrez. O objetivo é encontrar "formas criativas de estimular ocomércio e o investimento" bilateral, disse o diplomata, depoisdo fracasso das negociações para a Área de Livre Comércio dasAméricas (Alca) em 2003. Uma primeira reunião dos executivos aconteceu em outubro doano passado em Brasília, quando foram recebidos para umchurrasco na Granja do Torto pelo presidente Luiz Inácio Lulada Silva. Depois, formaram grupos de trabalho e continuaram acomunicação por email e conferências telefônicas. De concreto, saíram basicamente três propostas: levaradiante um acordo para evitar a bitributação; diminuir aburocracia na emissão de vistos de negócios e extendê-los parao prazo de 10 anos frente aos atuais cinco; e aumentar a ofertade vôos entre os dois países, afirmou. RESPOSTAS Os governos darão respostas a essas propostas no encontrode Washington, mas o tema da bitributação já encontrou travasdepois de uma reunião de trabalho de funcionários da ReceitaFederal e do Tesouro em Brasília devido à legislação diferentedos países sobre sigilo bancário, acrescentou o diplomata. O assunto passou a interessar as empresas brasileiras desdeque passaram a investir nos EUA. O investimento diretobrasileiro no país superou 6 bilhões de dólares em 2007,segundo relatório do Itamaraty. Ao mesmo tempo, estão previstosmais de 20 bilhões de dólares em investimentos de empresasnorte-americanas no Brasil até 2012, acrescentou o documento. No caso dos vôos, as principais companhias aéreasnorte-americanas querem conquistar mais rotas para São Paulo eRio, mas o governo brasileiro está buscando mostrar queinvestir em novos destinos para Nordeste e Centro-Sul pode serlucrativo também. No caso dos vistos, um avanço é possível já que a nova Leido Estrangeiro se encontra em retoques finais na Casa Civilpara ser enviada ao Congresso e inclui a extensão de vistospara o prazo de dez anos, acrescentou. PAC No caso do Brasil, o objetivo é melhorar a imagem do paísnos EUA como um lugar atrativo para investimentos. Essainiciativa será reforçada em breve com um "roadshow" sobreprojetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em trêscidades norte-americanas. A turnê inclui Nova York, San Francisco, onde se concentramos maiores fundos de pensão, e Atlanta, cidade importante nocentro-sul do país onde o Brasil ainda não é conhecido. O PAC também será um dos temas do encontro de Rousseff como secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, nasegunda-feira. Ele teria mostrado preocupação com a ausência deempresas norte-americanas em recentes licitações para concessãode rodovias e também no setor turístico, que estão atraindoinvestimentos massivos dos europeus, disse o diplomata. O ministro encarregado dos portos brasileiros, Pedro Brito,também tem viagem marcada na semana que vem ao país para buscarchamar a atenção para os portos norte-americanos, consideradosgrandes investidores nos pares brasileiros.

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