Exportação de carne bovina deve crescer pouco em 2008

As exportações brasileiras de carnebovina deverão registrar um pequeno aumento em 2008, mas areceita das operações deve subir em maior proporção, informounesta segunda-feira a Abiec, entidade que representa osexportadores. Segundo a Abiec, as exportações de carne bovina do Brasildeverão atingir aproximadamente 2,62 milhões de toneladas(equivalente em carcaça) em 2008, ante volume de 2,5 milhões detoneladas em 2007, diante da perspectiva de ampliação demercados e da eliminação de antigos embargos. A receita esperada para o ano que vem está no intervaloentre 4,89 e 5,11 bilhões de dólares em 2008, contra 4,45bilhões que devem serem registrados neste ano. A Abiec tem seguido uma estratégia de elevar o valoragregado nas exportações de carne bovina, optando por produtoscom maior grau de processamento e maiores valores por quilo. "Nosso foco agora não é ganhar campeonato de volume. O queinteressa é a renda. Não adianta vender muito se tiver poucarenda", afirmou Marcus Vinicius Pratini de Moraes, presidenteda associação, durante uma coletiva. De janeiro a novembro, o Brasil acumulou 4,09 bilhões dedólares e 2,37 milhões de toneladas em exportações de carne,representando aumento de 7,8 sobre o volume e de 13,85 porcento sobre o valor da mercadoria em comparação ao mesmoperíodo de 2006, informou a Abiec. O preço da carne bovina no Brasil está nos maiorespatamares desde o início do Plano Real, em 1994, por conta deum aumento no consumo, o que força os exportadores a elevaremos preços de venda no mercado externo. "A gente está vivendo um momento em que o Brasil tem ummercado doméstico muito forte ... nestes últimos seis meses,vimos uma pressão bastante forte no setor pelo aumento no preçoda matéria-prima e pelo fortalecimento do real", afirmou JoséPaulo Macedo, coordenador de relacionamento com os investidoresda JBS, maior processadora mundial de carne bovina. "No mercado externo, você leva mais tempo para conseguirrepassar este seu preço. (...) Vendemos um número maior decortes no mercado doméstico porque estava remunerando melhor." O INFERNO SÃO OS OUTROS Apesar da suspensão de embargos impostos pela Rússia àcarne bovina brasileira e do interesse de ampliar as trocascomerciais com Cuba, Malásia e China, as exportaçõesbrasileiras ainda sofrem restrições no Chile e na África do Sulpor conta do foco de febre aftosa registrado em 2005, informoua Abiec. "Isso é uma ação deliberadamente contra o Brasil e que nósdevíamos retaliar", reclamou Pratini, comentando a medidarestritiva chilena. "É uma coisa abusiva, sem nenhumajustificativa tecno-científica. Puro interesse comercial",acrescentou. Ele também mostrou insatisfação com a campanha dosprodutores de carne irlandeses contra as exportaçõesbrasileiras. Pecuaristas da Irlanda têm se queixado à Comissão Européia,o braço executivo da UE, que os pecuaristas brasileiros nãoestão obrigados a cumprir determinados padrões exigidos dosprodutores da UE. "Vamos ter que comprar um frigorífico lá para acabar comessa história", disse Pratini. (Edição de Marcelo Teixeira)

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