Exportação de carne bovina do Brasil cairá 20% em 2008--Abiec

As exportações de carne bovina doBrasil deverão fechar 2008 com uma queda de cerca de 20 porcento em volume, na comparação com 2007, para aproximadamente 2milhões de toneladas (equivalente carcaça), devido àsrestrições impostas pela União Européia e também à alta depreços, que está freando o consumo mundial, avaliou nestaterça-feira a Abiec (Associação Brasileira das IndústriasExportadoras de Carne). Por outro lado, a mesma alta de preços deverá aumentar asdivisas obtidas pelo país com as exportações neste ano em 10por cento, para algo próximo a 5 bilhões de dólares, nacomparação com o ano passado. "Cresce em valor, mas não tem o mesmo efeito em volume... Éo primeiro ano em que está havendo uma correção em tonelagem,com um efeito preço tão significativo", afirmou o novopresidente da Abiec, Roberto Giannetti da Fonseca, ajornalistas. Pelo menos desde 2001, quando o Brasil exportou 901 miltoneladas, as exportações brasileiras têm crescido e registradoseguidos recordes, com o país se consolidando nos últimos anoscomo o maior exportador mundial. A redução nas vendas para a União Européia, que limitou nocomeço do ano o número de fazendas que podem fornecer gado paraos frigoríficos que exportam para a Europa, também está sendosentida nas exportações brasileiras. As exportações de carne in natura para os Países Baixos,Itália e Reino Unidos caíram nos primeiros cinco meses do ano,respectivamente, 54 por cento, 81 por cento e 68 por cento--pela ordem, esses são os principais clientes do Brasilintegrantes da UE. "Isso representa um efeito a curto prazo importante naredução do volume total da exportação brasileira", acrescentouFonseca. No acumulado de janeiro a maio, as exportações brasileirastiveram um movimento semelhante à previsão da Abiec para o ano.Em volume, atingiram 920,6 mil toneladas, queda de 20,2 porcento em relação aos cinco primeiros meses de 2007. Em receita,os embarques somaram 2,06 bilhões de dólares, alta de 10,4 porcento na mesma comparação. Foi a primeira vez que o Brasil exportou em cinco mesesmais de 2 bilhões de dólares em carne bovina. A alta nos preços é internacional, com custos maiores deprodução em função dos grãos mais caros, matéria-primaimportante em países com criação intensiva. O Brasil, que sofremenos esse efeito por ter produção extensiva (pasto), atravessacoincidentemente um ciclo de baixa na oferta de animais, apósum logo período de abate de matrizes e preços baixos. LIDERANÇA AINDA MANTIDA Apesar da queda expressiva em volume, a Abiec avalia queisso seja uma situação mundial, com os preços limitando oconsumo. Com base nisso, o presidente avalia que o país devemanter a sua posição de liderança nas exportações à frente daAustrália. "Posso acreditar que, com o aumento significativo de preçoque a carne teve nos últimos meses --a Abiec estima um aumentomédio de 10 por cento no ano do produto exportado--, éimpossível que qualquer produtor concorrente tenha aumentado emvolume para tirar mercado do Brasil", disse ele, admitindoapenas algum "ajuste" pontual. Prova de que o mercado mundial encolheu, segundo ele, sãoas importações da Rússia, maior importador da carne brasileira,que comprou 18 por cento a menos nos primeiros cinco meses doano. Outra indicação de que os preços estão tendo efeito noconsumo pode ser aferida a partir das vendas de produtosindustrializados do Brasil, que não sofrem veto da UE, mas quecaíram 11,6 por cento nos primeiros cinco meses, para 205,4 miltoneladas. Os executivos da Abiec não deram um prazo para que o Brasilvolte a exportar os volumes normais para a UE. Disseram apenasque estão otimistas e que esperam contar com a adesão de maiscriadores de gado ao sistema de rastreabilidade exigido peloseuropeus.

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