Exportação de milho do Brasil deve se aquecer com preç recorde

Os preços recordes do milho nomercado de Chicago, referência internacional, devem colaborarpara a intensificação de negócios de exportação do cerealbrasileiro, na medida em que o mercado local pode perder umpouco de sua atratividade, disseram fontes do mercado. Atualmente, ainda vale mais a pena vender o milho nomercado interno, que paga um valor superior ao indicado paraexportação. Tomando por base o indicador Esalq/BM&F, o milho é cotadona importante praça de Campinas (SP) a 25,52 reais por saca de60 kg, contra 23,10 reais na base FOB do porto de Paranaguá, oprincipal para exportação do produto no país. Mas isso pode mudar, com a bolsa de Chicago refletindopreocupações com a safra norte-americana e impulsionada tambémpor compras de investidores relacionadas à alta do petróleo.[ID:nN06419040] "Temos uma série de contratos atuais de empresas que osfizeram para exportação com possibilidade de mercado interno.Até o momento, estavam destinando uma boa parte para o mercadointerno, dada a sua atratividade... Mas, se essas altasinternacionais permanecerem um pouco mais, podem atrair novasvendas para o mercado externo", disse Lucílio Alves,pesquisador do Cepea/Esalq. Segundo ele, a diferença entre o que é pedido no mercadointerno e o valor de exportação poderia ser encurtada em favordas vendas externas, considerando que os preços domésticosagora passam a atuar um pouco mais sob o efeito da pressão dacolheita da segunda safra do país. No Mato Grosso, que deve vir com uma safrinha recorde, acolheita já está começando. No Paraná, outro importanteprodutor, os trabalhos nas lavouras começam mais tarde, mas seo clima continuar colaborando, a oferta também será abundante. "Não há outra alternativa, vamos ter boa produção interna,e há necessidade de exportação (para enxugar o excedente), eisso acontece depois da safrinha, de agosto para frente." Um limitador para exportações de milho, no entanto, é ocâmbio desfavorável, acrescentou ele, lembrando que os preçosmais altos em Chicago podem aquecer especialmente os negócioscom entrega futura, após a colheita da safrinha, quando osembarques efetivamente ganham força. Os protestos de produtores na Argentina, que paralisam assuas vendas, por outro lado, podem beneficiar embarques doBrasil no curto prazo. Apesar de os negócios no mercado interno estarem ao longodo ano mais vantajosos, o Brasil exportou de janeiro a maio 8por cento a mais em relação ao mesmo período de 2007, segundoAlves, um volume de 2,6 milhões de toneladas. O governo estima exportações de 11 milhões de toneladaspara este ano, levemente acima do ano passado. PETRÓLEO INTERFERE A alta do petróleo, que acaba interferindo no mercado demilho nos Estados Unidos, uma vez que os norte-americanosproduzem etanol a partir do cereal, deve colaborar para asustentação dos preços em Chicago e por consequência para ofavorecimento de exportações do grão brasileiro. "Se você acompanhar o gráfico milho/petróleo, o milho estádefasado em relação às últimas altas do petróleo. É bemprovável que o milho lá fora vai subir, aí ele pode encontrarparidade de exportação no Brasil", disse Rodrigo Zobaran,corretor da Pasturas, no interior de São Paulo. Ele lembrou ainda que as chuvas excessivas que atingem aregião produtora dos Estados Unidos, que podem prejudicar odesenvolvimento e o término do plantio, são outro fator altistano mercado de Chicago, que pode beneficiar indiretamente oBrasil.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

06 de junho de 2008 | 17h58

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