Exportadoras de SP projetam aumento de 7,6% nas vendas

Fiesp projeta, pela primeira vez neste ano, crescimento na exportação no segundo semestre

Anne Warth, da Agência Estado,

10 de agosto de 2009 | 10h12

Pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), feita com 78 grandes empresas exportadoras do Estado e obtida com exclusividade pela Agência Estado, mostra que pela primeira vez neste ano as projeções para exportações no segundo semestre são de crescimento em relação aos primeiros seis meses de 2009. Os executivos esperam um crescimento de 7,6% nas exportações de produtos industrializados sobre o primeiro semestre, segundo o levantamento "Indicador Fiesp de Perspectivas de Exportação de Produtos Industrializados" de agosto. Em julho, os empresários previam queda de 1,1%.

 

Se as estimativas dos industriais paulistas estiverem corretas, as exportações na segunda metade do ano vão chegar a US$ 42,119 bilhões. Apesar de 7,6% maiores do que no primeiro semestre do ano, será uma queda de 33% na comparação com o resultado do segundo semestre de 2008, de US$ 63,553 bilhões. No ano passado, as vendas externas subiram 13% no segundo semestre na comparação com o primeiro.

 

"As exportações estão sendo retomadas lentamente e por isso melhoraram as expectativas para o segundo semestre", disse o gerente do Departamento de Economia da Fiesp, André Rebelo. Ele destacou que esse resultado é generalizado entre os setores industriais e não pode ser atribuído a um ou outro gênero que esteja se recuperando mais rapidamente do que outros.

 

 

 

Exportações em 2009 deve fechar com queda de 32,2% ante 2008

 

Apesar da pequena melhora das expectativas, a pesquisa indica que os empresários esperam que as exportações encerrem o ano com uma queda de 32,2% na comparação com 2008, totalizando US$ 81,260 bilhões, ante US$ 119,775 bilhões no ano passado. Em 2008, as exportações aumentaram 13,3% na comparação com 2007. "As exportações no primeiro semestre foram muito ruins, e agora os empresários estão vendo que no segundo semestre não serão tão ruins assim. Mas nada mudará o resultado do ano, que será bem inferior ao de 2008", explicou Rebelo.

 

Embora a crise tenha provocado queda nas vendas da maior parte dos produtos industrializados exportados pelo País, alguns produtos tiveram comportamento oposto. É o caso de açúcar refinado, cujas exportações aumentaram 26,5% no período entre janeiro e agosto em relação ao mesmo período de 2008, e do açúcar bruto, produto semifaturado e que faz parte da pauta de industrializados, cujas exportações subiram 64,3% no período.

 

Um dos motivos desse desempenho excepcional é a quebra da safra de açúcar na Índia, por causa do clima. O país é o maior consumidor mundial do produto e devido à restrição de oferta no mercado interno passou a importar açúcar brasileiro. A demanda indiana fez com que o preço no mercado de futuros de Nova York registrasse máximas históricas na sexta-feira (7), cotado a 20,81 cents por libra peso, no maior nível desde abril de 1981.

 

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as vendas externas de produtos industrializados totalizaram US$ 39,141 bilhões no primeiro semestre do ano, redução de 30% na comparação com o mesmo período do ano passado e de 38,4% em relação ao segundo semestre de 2008.

 

Segundo Rebelo, o resultado teria sido ainda pior não fosse a diversificação de destinos das exportações brasileiras de industrializados. De acordo com o MDIC, em 2008, 31,8% das vendas foram para países da América Latina, 20,4% para a União Europeia, 17,7% para Estados Unidos, 11,4% para a Ásia e 18,6% para países de outras regiões. "A diversificação ajudou a conter a crise. Grande parte de nossas exportações vão para países emergentes, e eles, mesmo na crise, vão crescer mais do que os países ricos e tendem a segurar a queda nas exportações", afirmou Rebelo.

 

A pesquisa é feita mensalmente com 78 empresas selecionadas entre as 250 maiores exportadoras do País, de acordo com o Relatório Anual da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC. A amostra de empresas exportou US$ 29,6 bilhões em produtos industrializados em 2008, 24,7% do volume exportado em todo o País no ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.