Exportadores prevêem colheita brasileira de 34 milhões sacas

São Paulo, 21 - A produção de café no Brasil pode cair para 34 milhões de sacas de 60 quilos na safra 2005/06, em comparação com a atual produção de 41 milhões de sacas, segundo previsão das empresas de exportação Stockler e Neumann Kaffee Gruppe. Entre os motivos para tal queda, elas citam o ciclo bianual das lavouras de café, as más condições climáticas e o baixo nível de investimento dos produtores em defensivos e fertilizantes. "É cedo para falar sobre o tamanho da safra, mas nosso levantamento mostrou danos tangíveis provocados por uma série de fatores", disse um analista do Neumann Kaffee Group. Geralmente, relatórios de safra são divulgados depois da floração dos cafezais, que ocorre entre outubro e dezembro. A estimativa foi apurada depois de uma extensa viagem dos analistas das duas empresas pelas principais regiões produtoras do sul de Minas Gerais, do Cerrado e da Mogiana. De acordo com eles, as chuvas foram muito fortes no sul de Minas e na Mogiana até julho, o que provocou a disseminação de doenças fúngicas e o desfolhamento dos cafezais. O fato de os produtores terem investido menos em fertilizantes e herbicidas neste ano deixou as lavouras mais suscetíveis às intempéries. Os analistas dizem ainda que, entre o final de julho e agosto, os dias foram extremamente quentes de manhã e à tarde, com temperaturas baixas à noite. Essa grande variação diária estressou as árvores, que perderam muitas folhas. Além disso, certas áreas sofreram com uma forma mais moderada de geada e ventos fortes no sul de Minas Gerais. Esta é a região que mais sofreu danos e onde se produz o café de melhor qualidade no País. As empresas acreditam que, ali, a produção vai cair 50%. No total, Stockler e Neumann Kaffee Gruppe acreditam que a produção de arábica vai cair 28% para 23,2 milhões de sacas. A de robusta deverá crescer 22% para 10,8 milhões de sacas, porque a safra deve se recuperar no principal estado produtor dessa variedade, o Espírito Santo. "Em um ano normal não divulgaríamos esse relatório. Mas o dano causado pelo inverno é irreparável", disse o analista da Neumann. As informações são da Dow Jones.

Agencia Estado,

21 de setembro de 2004 | 17h55

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