Exportar alimentos e energia ‘não é volta ao passado’, diz Unica

Segundo presidente da organização, há uma larga cadeia de tecnologia por trás das commodities agrícolas vendidas pelo Brasil

Sabrina Valle e Daniela Amorim, da Agência Estado,

19 de agosto de 2011 | 15h01

O presidente da União da Indústria de Cana de Açúcar, Marcos Jank, defendeu que há uma larga cadeia de tecnologia por trás das commodities agrícolas vendidas pelo Brasil e que exportar alimentos e energia não é "uma volta ao passado". Jank estava respondendo a comentários do diretor da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, e do vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, no Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex).

Para os dois últimos, houve uma volta ao passado, com risco de desindustrialização, com o aumento do peso das commodities na pauta de exportações brasileira em detrimento de produtos manufaturados. "Tende a se achar que a commodity é desindustrialização, o que não é verdade. Isso me deixa profundamente incomodado", disse Jank, acrescentando que há uma incorporação grande e cada vez mais sofisticada da indústria nos alimentos e na energia vendida pelo País. "Para um grão de soja é preciso uma quantidade imensa de máquinas, químicas, processamento", exemplificou Jank.

Segundo ele, não há sinais de desindustrialização e o Brasil está indo apenas na direção de sua vocação e do que é esperado do País. Ele afirma que houve uma mudança de cenário nos últimos quatro, cinco anos e que o mundo quer hoje produtos básicos. "Ninguém vai deixar de comer".

Para Giannetti, a defesa de incentivos à exportação de commodities não deve ocorrer em detrimento do incentivo à exportação de manufaturados. O economista defendeu que as duas questões não são conflitantes.

"A gente não pode olhar para o Brasil com a dimensão territorial, populacional, com as questões sociais que tem, e pensar que a gente vai continuar exportando soja em grão, ao invés de óleo e farelo, exportando algodão em vez de vestuário, carne in natura ao invés de cortes especiais embalados. O mesmo serve para a área de minério também", afirmou Giannetti. "O Brasil tem que exportar valor agregado. Não é uma coisa contra a outra, é a commodity mais o produto manufaturado".

Jank respondeu afirmando que adicionar valor agregado aos produtos é uma meta, mas nem sempre leva à lucratividade. Ele explicou que a indústria de commodities é altamente desenvolvida em tecnologia e que, por distorções da cadeia produtiva, é muitas vezes mais lucrativa do que a indústria da transformação.

"A Vale ganha muito dinheiro com minério de ferro e a logística, mas talvez não ganhasse tanto com o aço, porque há excedente no mundo. Há distorções que beneficiam o produto básico. O manufaturado nem sempre é tão lucrativo".

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