Werther Santana/Estadão - 17/02/2020
Werther Santana/Estadão - 17/02/2020

Fabricante de eletrônicos Multilaser vai estrear na B3 valendo R$ 9 bilhões 

Empresa, que inicialmente recarregava cartuchos de impressora e foi expandindo sua atuação, levanta R$ 1,9 bi em IPO; dinheiro vai ajudar na expansão dos negócios, o que pode incluir aquisições

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2021 | 19h44

Criada como uma recarregadora de cartuchos de impressora, no fim dos anos 1980, a Multilaser chegará à Bolsa brasileira como uma fabricante de eletrônicos diversificada – e com valor de mercado de R$ 9 bilhões. Depois de adiar a estreia na B3 na semana passada, por causa da volatilidade do mercado, a empresa conseguiu captar R$ 1,9 bilhão em sua oferta inicial de ações (IPO, pela sigla em inglês), considerando apenas a oferta base. Com o lote suplementar, o valor sobe para R$ 2,2 bilhões.  A demanda entre investidores foi bastante elevada, apesar das preocupações relativas à variante Delta da covid-19 na economia.

A Multilaser registrou demanda de “múltiplas vezes” o volume ofertado no IPO, conforme apurou o Estadão. A ação foi precificada em R$ 11,10, conforme fontes, pouco acima do piso da faixa indicativa de preço, que ia de R$ 10,80 a R$ 13. Dentre os gestores institucionais, a companhia atraiu nomes como os fundos Velt, Moat, Trust e XP Asset. Mesmo com a elevada demanda, a empresa decidiu não vender as ações adicionais, limitando-se à oferta-base.

Na B3, a empresa vista como o ativo mais comparável à Multilaser é a Intelbrás, que abriu seu capital neste ano e é focada na produção de equipamentos de segurança, comunicação e energia. Desde a estreia, a ação praticamente dobrou de valor. 

No caso da oferta da Multilaser, o objetivo é usar o dinheiro para financiar a expansão do negócio – o que pode incluir aquisições –, além de reduzir dívidas, conforme informações que constam no prospecto da operação. O papel começará a ser negociado na quinta-feira, 22.

A Multilaser tem um portfólio muito diversificado. Hoje são 5 mil produtos disponíveis, para todos os bolsos, de pen-drives a tablets. Recentemente, fechou uma parceria com o grupo chinês Hisense para fabricar TVs da marca Toshiba. Em 2020, o faturamento da companhia foi de cerca de R$ 3 bilhões, com crescimento de aproximadamente 27% no ano.

A casa de análise Suno, em relatório enviado a clientes, frisou que o modelo de negócio da Multilaser chama a atenção, já que consiste no desenvolvimento, fabricação, distribuição e venda de diversos produtos em diferentes áreas, como tablets, notebooks, smartphones e outros acessórios. “A Multilaser é uma das empresas mais diversificadas de bens de consumo no Brasil. Ela apresenta receitas crescentes, margens elevadas e rentabilidade ótima.” 

Apesar disso, recomendou que os clientes ficassem de fora da oferta por enxergar um risco importante no fato de 75% do lucro líquido do último exercício ter tido origem no recebimento de incentivos fiscais. 

Diversificação

A empresa, de perfil familiar, foi fundada em 1987 por Israel Ostrowiecki. Em 1991, tornou-se a única empresa na América Latina a fazer recarga de cartucho de tinta de impressoras. Aos poucos, foi diversificando sua atuação.

A companhia é conduzida hoje pelo filho do fundador, Alexandre. Um dos sócios da empresa é Renato Feder, amigo de infância de Alexandre, que chegou à Multilaser em 2003. Na época, a empresa teve de se reinventar, pois chegou à conclusão de que não se sustentaria com o negócio de cartuchos. 

Feder, que desde 2018 está afastado do dia a dia da companhia, chegou a ser cotado para assumir o Ministério da Educação no governo de Jair Bolsonaro e é o atual secretário de Educação do Paraná.

Segundo o sócio da Varese Retail, Alberto Serrentino, a Multilaser enfrenta diferentes concorrentes dependendo da categoria analisada. “Eles possuem preços competitivos e têm produtos de entrada em diferentes segmentos. É difícil rotulá-los”, frisa. O especialista diz que a indústria brasileira de eletroeletrônicos já teve presença maior no mercado, mas perdeu competitividade ao longo do tempo.

Foram coordenadores do IPO o Itaú BBA, a XP, o Bank Of America, o UBS-BB e o Safra.

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