Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

Fabricante de ouro quer aumentar número de pessoas físicas acionistas na Bolsa brasileira

Primeira empresa do ramo listada na B3, a Aura Minerals aposta no apetite do investidor por segurança em tempos de volatilidade; atualmente, 30 mil pessoas físicas já são acionistas da companhia

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2021 | 05h00

Perto de completar um ano como empresa listada na Bolsa brasileira, a Aura Minerals foi a primeira fabricante de ouro listada na B3, a Bolsa paulista. Sua chegada, em um momento de extrema volatilidade de pandemia, atraiu investidores graças a um velho ditado no mundo financeiro: considerado um “porto seguro”, o ouro vê a demanda crescer em tempos de crise. Hoje, a empresa, também listada no Canadá, tem como uma de suas metas aumentar o número de pessoas físicas acionistas na Bolsa brasileira.

Meses após a estreia, a companhia começou apenas agora a ser conhecida por investidores do varejo. Em julho do ano passado, a companhia fez uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) destinada apenas a investidores institucionais, como fundos de investimento e fundos de pensão – por isso, pessoas físicas ficaram de fora. Alguns meses depois, a Aura fez uma nova oferta, dessa vez obedecendo às regras do regulador para que as pessoas físicas pudessem participar. E viu o número desses investidores crescer: hoje já são 30 mil. Mas a Aura quer mais.

“Começamos a fazer um trabalho no varejo e temos notado um interesse muito grande”, diz o presidente da Aura Minerals, Rodrigo Barbosa. O executivo chegou à companhia em 2017 para promover sua reestruturação e pavimentar o caminho do crescimento, o que envolveu a venda de minas que iriam exigir investimentos elevados. Esse processo culminou na abertura de capital no Brasil. Oliveira já tinha experiência em reestruturação e chegou à Aura após levantar a operação da Santista Têxtil, que teve fazer um processo de reestruturação de dívidas.

A decisão pelo IPO, conforme Barbosa, ocorreu no fim de 2019, momento em que as margens da empresa estavam melhorando e uma oferta de ações ajudaria também no processo de se estabelecer um relacionamento com os bancos por aqui. “Nosso custo de captação estava muito alto”, lembra. O IPO girou R$ 790 milhões e cerca de dois terços dos recursos levantados corresponderam à venda por acionistas – ou seja, não foram para o caixa da empresa.

Durante a pandemia, a valorização do ouro tem ajudado. Antes da crise de covid-19, o metal valia cerca de US$ 1,7 mil a onça (medida correspondente a cerca de 31 gramas). A cotação chegou a cair no início da pandemia, mas hoje está em aproximadamente US$ 1,9 mil, com perspectivas positivas, de acordo com analistas.

Sinônimo de riqueza, o ouro tem algumas principais destinações, como a fabricação de joias, investimento, reservas de bancos centrais. No caso da Aura, o ouro não é vendido diretamente para nenhum desses usos. O metal explorado vai para uma refinaria, onde são transformados em lingotes – as conhecidas barras, padronizadas para serem vendidas em bolsa de valores.

Aquisições no radar

Mesmo prevendo que seu processo de reestruturação ainda vá levar mais dois ou três anos, a Aura poderá fazer aquisições para acelerar o crescimento. A ideia não é trazer uma mina que ainda precise de amplos investimentos para começar a produzir – algo que em mineração pode significar quase uma década de espera, mas sim projetos mais maduros, que possam de imediato acrescentar volumes de produção à empresa. 

Além da produção de ouro, seu carro-chefe, a companhia atua no mercado de cobre – atualmente cerca de 25% das receitas da companhia vêm desse metal. “Temos ativamente procurado alternativas de crescimento via aquisições, expansões internas e projetos que nos deem possibilidade de dobrar de tamanho”, Barbosa. 

A mineradora fechou o ano passado com uma produção de 204 mil onças de ouro e estimou para este ano ficar entre 250 mil e 290 mil onças. Os investimentos para este ano estão sendo estimados em US$ 100 milhões.

“Acreditamos que a empresa esteja bem posicionada para aproveitar os benefícios de seu plano de expansão e destravar valor na medida em que atualize sua base de recursos e reservas”, apontaram, em relatório, recente os analistas Yuri Pereira e Thales Carmo, da XP.

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