Família Diniz vende R$ 1,2 bilhão em ações do Pão de Açúcar

Filhos de Abilio Diniz saíram do negócio ao se desfazer de 11,5 milhões de ações; holding da família ainda teria 4 milhões de papéis

O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2014 | 23h13

 A família Diniz deu nesta segunda-feira mais um passo para deixar definitivamente o negócio fundado há 66 anos por Valentim Diniz, pai de Abilio Diniz. Os seis filhos do empresário venderam quase 11,5 milhões de ações do grupo de varejo, arrecadando cerca de R$ 1,2 bilhão. Desta forma, os Diniz deixam de ser sócios, diretamente, da rede de varejo controlada pelo grupo francês Casino.

Com o negócio, os filhos de Abilio seguem uma decisão tomada pelo pai em maio. Há dois meses, o empresário vendeu 7,9 milhões de ações que ainda restavam em seu nome, com arrecadação de R$ 825 milhões - o empresário vinha se desfazendo de fatias no GPA desde o ano passado, quando decidiu investir na BRF. 

Embora a Península - empresa que cuida dos negócios da família Diniz - tenha informado que o empresário e seus filhos zeraram sua posição no Grupo Pão de Açúcar, o Estado apurou que a relação da família com a varejista não terminou de vez. 

Segundo fontes, ainda existe um lote residual de mais de 4 milhões de papéis, que estariam em nome de uma subsidiária da Península, a La Plata. Considerado o preço médio de R$ 103,58 pago nesta segunda pelas ações do GPA, esses papéis valeriam cerca de R$ 415 milhões.

A posição oficial da Península é de que a família Diniz está se desfazendo de sua participação no Pão de Açúcar para aumentar seu portfólio de investimentos, sem especificar quais segmentos seriam prioritários.

No entanto, alguns movimentos começaram a ser feitos. Em maio, a empresa comprou participação da rede francesa Carrefour. Embora o porcentual adquirido em bolsa de valores tenha sido pequeno, o movimento marcou a reaproximação do empresário com a rede que foi o estopim da briga travada entre Abilio e seu sócio francês no Pão de Açúcar por dois anos. 

Disputa. Em 2011, um ano antes de ser obrigado contratualmente a entregar o controle do Pão de Açúcar ao Casino, o empresário conseguiu o apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para arquitetar a fusão da operação global do Carrefour. Com o redesenho do negócio, ele não entregaria mais o controle do GPA, passando a dividi-lo com os franceses.

Uma verdadeira batalha, recheada de trocas de acusações públicas, foi iniciada. A briga entre Abilio e o presidente do Casino, Jean Charles Naouri, só foi resolvida em setembro de 2013. Nesta época, o brasileiro já presidia o conselho da gigante dos alimentos BRF. 

No acordo com o Casino, Abilio trocou as ações ordinárias que tinha na Wilkes - controladora do Pão de Açúcar - por papéis preferenciais, com um prêmio de quase 10% sobre o preço de troca definido no acordo de acionistas do grupo. 

Por enquanto, fontes dizem que uma decisão sobre o Carrefour ficará em “compasso de espera”. O Estado apurou, porém, que o projeto de Abilio de assumir a operação local da rede ainda persiste.

De imediato, diz a fonte, a meta de Abilio é fortalecer a BRF. A ambição do empresário é transformar a dona da marca Sadia em uma potência global dos alimentos. / MÔNICA SCARAMUZZO e FERNANDO SCHELLER

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