Família poderá entrar em imóvel de Ghosn no Rio

Família poderá entrar em imóvel de Ghosn no Rio

Decisão judicial concede 24 horas para parentes recolherem bens pessoais do executivo de apartamento que pertence à Nissan

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2018 | 04h00

Uma nova decisão da Justiça permitirá que a família do executivo Carlos Ghosn, ex-presidente do conselho da Nissan, possa entrar no apartamento funcional que o executivo mantinha no Rio de Janeiro para recolher documentos e pertences pessoais. A disputa, relativa a um imóvel na Avenida Atlântica, em Copacabana, é um dos reflexos globais da prisão do executivo no último dia 19 de novembro, em Tóquio. Ghosn foi acusado formalmente por autoridades japonesas nesta semana de deixar de declarar o equivalente a US$ 43 milhões de sua renda.

Segundo decisão proferida na quarta-feira, 12, pela 52.ª Vara Cível da Justiça do Rio de Janeiro, a família terá direito de entrar no apartamento, por um prazo de 24 horas, para “retomar a posse dos seus bens, pertences e documentos pessoais”. Desde a prisão de Ghosn, membros de sua família tentavam entrar no apartamento, sem sucesso. Trata-se, no entanto, da segunda decisão judicial neste sentido – e a Nissan tem recorrido, inclusive em fins de semana, para reverter essa possibilidade.

Na decisão, a juíza Maria Cecília Pinto Gonçalves afirmou que não existe base legal para a companhia impedir a entrada de Ghosn – ou da filha Caroline, coautora do processo – no apartamento. Um dos argumentos da montadora para impedir a entrada da família no imóvel seria a possibilidade de destruição de eventuais provas relativas à acusação feita no Japão contra o executivo.

Segundo apurou o Estado, o objetivo de pessoas ligadas ao executivo seria fazer a visita ao imóvel com a presença de funcionários da Justiça fluminense. Essa seria uma maneira de garantir a elaboração de um relatório sobre o que foi retirado do imóvel. Embora o empresário e seus filhos não morem mais no Brasil, a mãe e uma irmã de Ghosn vivem no Rio.

“Caso haja interesse dos órgãos de investigação, com a devida autorização judicial, de identificar e apreender os cofres ou outros bens e documentos, com vistas à preservação de provas relevantes para uma imputação criminal efetiva, poderão fazê-lo oportunamente”, aponta a sentença. A decisão diz que o fim da relação contratual não obriga a devolução imediata do imóvel funcional.

Fama

Preso há 20 dias e agora formalmente acusado, Carlos Ghosn, 64 anos, era até pouco tempo considerado uma espécie de herói no Japão. Apelidado de “cortador de custos” pela indústria automotiva, ele fechou cinco fábricas e cortou 21 mil funcionários para garantir que a Nissan se tornasse um negócio saudável novamente. O brasileiro chegou à francesa Renault em 1996 e promoveu uma fusão global da montadora coma rival japonesa, em 1999. O grupo incorporou a Mitsubishi há pouco mais de dois anos.

Procurada, a Nissan não quis se pronunciar. Representantes da família Ghosn no País não foram encontrados.

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