Farsul prepara mobilização para evitar crise no agronegócio

Porto Alegre, 7 - A Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul) prepara uma série de mobilizações de seus associados para evitar que o ano de 2005 seja tão nebuloso para o agronegócio como se anuncia. O presidente da entidade, Carlos Sperotto, adiantou que os produtores vão pedir prorrogação para o pagamento de parcelas de empréstimos contraídos para financiar o plantio, esclarecimentos para o aumento do preço dos insumos e maquinário e liberdade para importar sementes e fertilizantes no Uruguai e Argentina. "O movimento que estamos preparando é um clamor do agronegócio brasileiro e acredito que vai encontrar acolhida no governo", disse Sperotto, ao analisar os resultados de 2004 e as perspectivas para 2005 em almoço de confraternização com presidentes de sindicatos rurais e jornalistas gaúchos. O presidente da Farsul classificou 2004 como um ano "curioso" para o agronegócio. A cotação da soja chegou a R$ 52 no primeiro semestre, valor que Sperotto considerou "quase o dobro" do que seria normal e que, somado ao contexto de euforia no campo, atiçou a cobiça dos produtores de fertilizantes e de máquinas, que elevaram seus preços em 30% e 70% respectivamente. Atualmente a saca de 60 quilos de soja é comercializada a preços próximos a R$ 32 para custo de produção estimado em R$ 29,60. Sperotto destacou os prejuízos da produção de trigo, com custo de R$ 29 e preço de venda de R$ 17 a saca, e do arroz, também com custo de R$ 29 e cotação variando de R$ 20 a R$ 23, conforme a qualidade do grão. "Houve um desvirtuamento dos custos da produção, que já vinham crescendo de uma maneira anárquica", reclamou o presidente da Farsul. Sperotto lembrou que os produtores rurais já haviam acusado o golpe em 2003, quando pediram ao Ministério da Agricultura uma verificação do que estava ocorrendo na composição dos preços de seus fornecedores, sem serem atendidos. As mobilizações dos próximos tempos, adiantou Sperotto, quer evitar que o agronegócio mergulhe novamente no quadro de endividamento que existia até meados da década de 90 e que forçou diversos produtores a abandonarem suas atividades. Uma das alternativas para reduzir custos que a Farsul vai defender é a compra direta, sem interferência de empresas importadoras, de fertilizantes e sementes nos países do Mercosul. "Eles têm custos menores", compara Sperotto. "Se o agricultor uruguaio pode vir aqui vender seu produto diretamente nós também devemos ter condições de adquirir insumos por lá", afirma. Os produtores brasileiros, sobretudo de arroz, reclamam da oferta do grão uruguaio que baixou a cotação do grão no País. Outro custo que os produtores gaúchos tentarão evitar é o dos royalties pretendidos pela Monsanto pelo uso da semente de soja transgênica. Sperotto assegura que não há nenhum acordo para pagamento de R$ 1,20 por saca. Reconhece que os plantadores admitem remunerar a tecnologia desenvolvida pela empresa, mas dificilmente vão aceitar um valor superior aos mesmos R$ 0,60 pagos neste ano. "As negociações devem levar em conta as condições diferenciadas que temos de comercialização do produto", avisa. Além das brigas comerciais, a Farsul vai trabalhar pela revisão da lei do desarmamento, anunciou Sperotto. A idéia é criar dispositivos que permitam que o proprietário rural mantenha armas em casa. "Nas zonas urbanas a vizinhança é fator de segurança", salientou, para citar que o morador do campo não tem a oportunidade de contar com o apoio imediato de vizinhos por causa da distância. "Vamos pautar a revisão da lei para que os produtores rurais possam permanecer com o mínimo de garantia que é justamente o direito de se defender", justificou.

Agencia Estado,

07 de dezembro de 2004 | 18h30

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