Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Fatia do BNDES na JBS é alvo de vários grupos

Banco mantém conversas com vários interessados, mas resistência dos irmãos Batista estaria atrapalhando negociações

Vinicius Neder e Renata Batista, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2018 | 04h00

A resistência dos irmãos Joesley e Wesley Batista está atrapalhando os planos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de vender sua participação no frigorífico JBS. Vários grupos têm procurado o banco de fomento com interesse na compra da fatia na dona das marcas Seara e Friboi, dizem fontes consultadas pelo Estadão/Broadcast. 

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Com a recusa dos Batistas em se engajar em negociações, o que é importante para as discussões sobre valores, as ofertas ainda não se concretizaram. As conversas continuam, mas não há nenhuma negociação realmente em andamento. 

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Desde que entrou em crise, na esteira da delação premiada feita pelos seus principais executivos, que envolveu o presidente Michel Temer, a J&F, holding da família Batista, vem se desfazendo de participação em várias empresas. 

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A fabricante de calçados e roupas Alpargatas, dona da marca Havaianas, e a produtora de celulose Eldorado estão entre os negócios vendidos. Conforme as fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, no caso da JBS, empresa que deu origem ao grupo, a disposição não seria a mesma. 

Participação. O banco de fomento detém hoje 21,3% do capital da JBS, fatia avaliada em R$ 5,153 bilhões, conforme o valor de mercado de quinta-feira. A participação foi construída com parte dos R$ 8,1 bilhões investidos na empresa, principalmente por meio da compra de ações. 

O banco de fomento já informou, em 2017, que saiu ganhando com as operações, quando se considera lucros distribuídos, empréstimos devolvidos e ações já vendidas. Mais conhecido investimento da política dos “campeões nacionais”, com a qual o BNDES apoiou, durante os governos do PT, a internacionalização de grandes grupos nacionais, as operações do banco com a JBS são alvo da Operação Bullish, deflagrada em maio de 2017 pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF) do Distrito Federal.

Processo. Para piorar, as rusgas com os sócios da JBS são anteriores à delação premiada dos irmãos Wesley e Joesley. Recentemente, como resultado de uma reclamação da holding BNDESPar, braço de investimentos do banco, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) instaurou mais um processo por conflito de interesse contra a participação dos dois em assembleia de acionistas realizada em abril do ano passado, em torno da discussão sobre a reestruturação societária do frigorífico.

Na sexta, 29, pela manhã, as ações da empresa chegaram a registrar a maior alta do Ibovespa, principal índice da Bolsa, puxadas pela informação de que um fundo do Catar estaria fazendo uma auditoria para adquirir a participação do BNDES, publicada no site da revista “Veja”. 

Posições. Em comunicado, a JBS informou não ter tomado “conhecimento sobre qualquer possível negociação envolvendo ações de sua emissão”. 

Procurada para comentar as informações obtidas pelo Estadão/Broadcast, a companhia manteve a posição. O BNDES também não comentou os rumores, alegando que não trata de informações sobre companhias abertas. 

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