Faturamento das operadoras fixas cai pela primeira vez

As empresas de telefonia fixa est?o com suas opera??es estagnadas. No segundo trimestre, o setor registrou a primeira queda de faturamento l?quido desde a privatiza??o em 1998, ainda que pequena. Muitos clientes n?o t?m dinheiro para manter a linha fixa, e acabam optando pelo celular pr?-pago. "O resultado deste per?odo diz muito como tend?ncia", afirma a analista da BES Securities Luciana Leoc?dio. Os novos neg?cios explorados pelas companhias - telefonia m?vel e banda larga - n?o se mostraram suficientes para compensar a retra??o do mercado de linhas fixas.

Graziella Valenti , Agencia Estado

09 de agosto de 2006 | 09h47

Levantamento realizado pela Ag?ncia Estado mostra que a receita l?quida das tr?s concession?rias locais fixas (Telef?nica, Telemar e Brasil Telecom) recuou 0,5% na compara??o com o segundo trimestre de 2005, para R$ 10,1 bilh?es. A gera??o operacional de caixa teve perda equivalente, para R$ 4,1 bilh?es, mantendo a margem do lucro antes de juros, impostos, deprecia??o e amortiza??o (Ebitda, na sigla em ingl?s) est?vel em 40,3%.

Para o especialista do Banco Brascan Felipe Cunha, o principal ponto deste resultado ? a demonstra??o "do imenso desafio que as empresas t?m para fazer a receita crescer". Ele lembra, por?m, que o per?odo foi afetado pela concentra??o de feriados e tamb?m pelos efeitos negativos da Copa do Mundo, pois as pessoas utilizaram menos o telefone nos dias de jogos.

J? o lucro das operadoras cresceu 14,9%, para R$ 1,1 bilh?o, entre mar?o e junho de 2006 ante o mesmo per?odo do ano passado. O endividamento l?quido total do setor ao final de junho estava em R$ 10,2 bilh?es, equivalente a uma redu??o de 11,9% sobre o mesmo m?s de 2005. "Acredito que este movimento continuar?", diz Cunha. "As empresas v?o aproveitar a evolu??o do cen?rio econ?mico para cortar o custo da d?vida e alongar os vencimentos."

Oportunidade

O analista da ABN Amro Real Corretora Alex Pardellas v? esta perspectiva como uma oportunidade de potencial aumento dos dividendos pagos aos acionistas. Isso porque o fluxo de caixa livre das empresas est? crescendo pela combina??o de Ebitda relativamente est?vel com queda da d?vida e da necessidade de investimentos.

No lado operacional, a aus?ncia de expans?o no faturamento consolidado ? fruto da queda na telefonia fixa tradicional. As companhias est?o perdendo linhas em servi?o e tr?fego. A quantidade de telefones em opera??o sofreu baixa de 1,6% de junho de 2005 para o mesmo m?s deste ano, o que corresponde a aproximadamente 600 mil terminais. Com isso, as operadoras fecharam o segundo trimestre com 39,241 milh?es de linhas em atividade.

A redu??o est? sendo compensada por duas receitas em expans?o: telefonia m?vel e ADSL. Somente a Telef?nica n?o tem opera??o celular integrada, participando de forma independente do capital da Vivo em parceria com a Portugal Telecom. Por?m o ritmo de avan?o nos novos servi?os se mostrou inferior ? velocidade de redu??o dos neg?cios tradicionais, mesmo com o reajuste de 7,5% que houve em julho de 2005 e que est? presente na compara??o entre os per?odos avaliados.

Na opini?o de Luciana, da BES Securities, a retra??o na telefonia fixa tradicional ficar? ainda mais evidente no desempenho consolidado do ano, pois n?o houve reajuste em julho passado e sim uma pequena redução nas tarifas das companhias. Não é por acaso que as teleconferências com analistas mostraram maiores preocupações com o futuro da telefonia fixa e a ansiedade por novas fontes de crescimento. "As empresas estão migrando para um modelo convergente também para tentar reter o cliente", destaca Luciana.

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