Fazenda faz última avaliação sobre MP de incentivo ao etanol, diz Lobão

Estatal nega ter feito pedido; informação é ‘de um ano atrás’, diz Paulo Roberto Costa,diretor de Abastecimento

Sergio Torres e Eduardo Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

25 de outubro de 2011 | 18h06

Embora a Petrobrás oficialmente negue ter pedido ao governo Dilma Rousseff a redução da alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), na tentativa de evitar o repasse de um eventual aumento no preço da gasolina nas refinarias, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou nesta terça-feira, 25, que a solicitação já foi encaminhada mais de uma vez.

"Reduzir a Cide, a Petrobrás pediu hoje, ontem, antes de ontem. Ela pede sempre", disse Lobão, que não revelou se o governo pretende ou não atender ao pedido da petroleira nacional.

O diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, negou ontem que a Petrobrás tenha pedido para reajustar o preço dos combustíveis. De acordo com ele, a informação é antiga, "de um ano atrás".

"Não tem nenhuma proposta. (...) Não tem nenhum novo pedido, zero de novo pedido. Hoje não tem pedido nenhum", afirmou Costa.

De acordo com o executivo, a Petrobrás estima que encerrará o ano com uma produção de óleo e gás, no Brasil e no exterior, que deverá atingir a 2,7 milhões de barris por dia, em média.

Costa previu um aumento da produção em 2012, já que, afirmou, haverá menos interrupções para manutenção e reparo nas refinarias. Também disse que a expectativa é chegar em 2015 com cerca de 3,9 milhões de barris produzidos diariamente. Em 2020, conforme a estimativa de Costa, serão 6,4 milhões de barris por dia, o que poderá tornar o Brasil um dos três maiores produtores mundiais, ao lado da Rússia e da Arábia Saudita.

"Até o fim da década a Petrobrás vai mais do que dobrar o tamanho de sua produção. (...) É um desafio muito grande", observou.

Importações. Acerca da necessidade de importar combustíveis para atender à crescente demanda interna, o diretor de Abastecimento reafirmou que a Petrobrás fechará o ano com a compra no mercado externo de cerca de 32 mil barris por dia. Em 2010, acrescentou, a estatal importou 9 mil barris diários.

Sem reajuste de preços nas tarifas e com a capacidade das refinarias incapaz de suprir o mercado nacional, daí a necessidade das importações, a Petrobrás busca reduzir os gastos com a revisão dos contratos de venda de petróleo para os EUA.

Paulo Roberto Costa revelou que a Petrobrás modificou o formato de parte dos contratos assinados com empresas norte-americanas para fornecimento de combustível. Os contratos foram alterados do modelo de referência em óleo WTI para óleo Brent, os dois principais balizadores do preço internacional do petróleo. De acordo com o executivo, a mudança ocorreu porque os preços do WTI baixaram em relação ao Brent, o que representava perda de arrecadação para a petroleira.

Costa não disse quanto a Petrobrás passou a arrecadar com as modificações contratuais. Segundo ele, 30% do volume previsto nos contratos firmados com companhias americanas seguiam as cotações do WTI.

"Como houve este descolamento, mudamos os contratos, porque não tínhamos vantagem em fornecer em WTI", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
minas e energiaetanolmplobão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.