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Fazenda vê espaço para BC reduzir ainda mais os juros

Política monetária expansionista seria resposta para a desaceleração do ritmo de atividade, diz boletim

Adriana Fernandes, de O Estado de S. Paulo,

21 de setembro de 2011 | 23h00

O Ministério da Fazenda vê espaço para o Banco Central (BC) reduzir ainda mais a taxa juros no caso de uma piora do cenário internacional. O boletim bimestral "Economia Brasileira em Perspectiva", divulgado nesta quarta-feira, 21, simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos, destaca que uma política monetária expansionista seria uma resposta à desaceleração da economia.

Foi mais uma sinalização de que a equipe econômica continua preocupada com a possibilidade de um tombo maior do crescimento econômico no Brasil em decorrência da crise internacional, que pode levar o mundo a uma recessão.

Essa preocupação já levou o BC a dar uma guinada mais rápida na política monetária e começar o processo de afrouxamento dos juros com uma queda de 0,50 ponto porcentual em agosto, reduzindo a taxa básica a 12% ao ano. Essa ênfase do governo no discurso de que é possível reduzir mais os juros tem alimentado desconfianças do mercado financeiro de que a inflação será mais alta em 2012, ao contrário do que prevê o BC.

Ao contrário de boletins anteriores, que apontavam a previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB) para 2011 e os próximos anos, o Ministério da Fazenda evitou desta vez fazer novas estimativas e retirou do documento as suas projeções. A estimativa anterior era de uma alta de 4,5% do PIB em 2011, mas a previsão está sendo revista para baixo pela área técnica. O BC, no próximo Relatório de Inflação, que será divulgado no final deste mês, também deverá reduzir a sua projeção, atualmente em 4%.

Cautelosa, a Fazenda previu apenas no novo boletim um crescimento mais moderado do PIB brasileiro neste ano, mas acima da média das principais economias avançadas. Segundo o documento, as medidas adotadas pelo governo para esfriar a economia em 2011 estão sendo efetivas e bem-sucedidas. Os técnicos avaliam que "mesmo o Brasil não estando no centro da crise deste ano, ele não é totalmente isolado e pode sentir alguns dos efeitos da recessão." Nesse cenário adverso, a Fazenda procurou reforçar no boletim a diretriz de não aumentar os gastos. Por esta razão, ressalta o documento, a disciplina fiscal foi fortalecida.

Investimento. O ministério da Fazenda prevê uma desaceleração do ritmo de crescimento dos investimentos em infraestrutura em 2011. A estimativa é de que esses investimentos somem R$ 160 bilhões, com alta de 9,2% em relação a 2010. No ano passado, a expansão dos investimentos em infraestrutura foi superior, de 11,6% ante o ano anterior.

No documento, a Fazenda sinaliza que está confortável com o nível de crédito e destaca que não vê risco de bolhas, como apontam alguns analistas estrangeiros. Na avaliação da equipe econômica, o crescimento recente da oferta de crédito no Brasil está sendo acompanhado por um mercado de trabalho robusto, caracterizado pela ampliação real da massa salarial e por um processo contínuo de formalização da mão de obra. "Isso faz com que o atual patamar de endividamento das famílias, cujo crescimento tem sido menor do que o verificado nos anos de 2008 e 2009, seja sustentável", diz o boletim.

Afastando riscos de crise bancária no Brasil por causa da crise, a Fazenda também avalia que oferta de crédito no Brasil advém de um sistema financeiro historicamente líquido, respaldado por regulação bancária conservadora.

Para a Fazenda, a baixa participação do sistema financeiro nacional no financiamento do setor privado é uma evidência da pouca exposição do sistema de crédito brasileiro ao risco, diminuindo a probabilidade da formação de bolhas.

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