Fed de Chicago defende aumento da meta de inflação

'A economia dos EUA está em uma genuína armadilha de liquidez', disse o presidente da instituição

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

18 de outubro de 2010 | 11h04

O presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, disse no sábado que, como parte da tentativa para estimular a economia norte-americana, o Fed poderia permitir que a inflação supere os níveis considerados adequados para a manutenção da estabilidade dos preços. Evans também indicou ser favorável a uma ação breve do Fed para estimular a economia e dar impulso ao mercado de trabalho, observando a atual deficiência do banco central no cumprimento de seu duplo mandato de máximo emprego sustentado e estabilidade de preços.

"A economia dos EUA está em uma genuína armadilha de liquidez" e diante dos desafios enfrentados pela nação, "é adequado que haja aplicação de mais política acomodatícia", afirmou. Evans não disse qual seria seu caminho preferido para estímulo, mas afirmou que uma mudança na meta de inflação de longo prazo ofereceria um impulso extra. Ele observou que essa seria uma política que exigiria comunicação clara e que o Fed seria capaz de trazer a inflação dos níveis bastante baixos atuais para algo mais aceitável dizendo que uma inflação acima da meta seria tolerada por um certo período.

Evans afirmou que tal regime, que chamou de meta de nível de preço, "ajudaria a complementar as estratégias atuais e em perspectiva". Segundo ele, "há vários estudos acadêmicos sobre crises de armadilha de liquidez que consideram tanto o regime de meta de nível de preço, quanto de inflação temporária acima da meta, como políticas quase ideais".

"Se você chegar a conclusão de que estamos em uma armadilha de liquidez ou mesmo próximo de uma armadilha de liquidez, uma maior acomodação não é dependente de indicadores", disse. "Nesse cenário, mesmo uma expansão moderada, sem um mergulho recessivo duplo, não produzirá melhoras adequadas no mercado de trabalho", observou. Citando o mandato duplo do banco central, de estabilidade de preço e máximo emprego sustentado, Evans alertou que a deficiência no cumprimento de ambos "é muito grande para ser ignorada e que não há atualmente conflito de políticas entre uma melhora do emprego e desdobramentos inflacionários".

Ele explicou que quando o banco central "perde ambos componentes de seu mandato duplo em grande escala, há justificativa para um caminho visando um nível de preço mais alto de uma maneira limitada e disciplinada". 

Mas acrescentou que a resistência à ideia seria potencialmente significante: "bancos centrais e o público de modo geral detestam a ideia de que uma taxa de inflação mesmo que temporariamente alta seria benéfico ou consistente com a estabilidade dos preços no longo prazo". Evans disse que ele mesmo foi inicialmente contrário à ideia até começar a ver sua utilidade. O presidente do Fed, Ben Bernanke, não mencionou tal sugestão em seu discurso de sexta-feira sobre os prováveis esforços para estimular a economia e comentários anteriores segurem ser contra a proposta.

Evans reconheceu que o Fed pode não estar pronto para esta mudança, mas que esta ferramenta poderia ser colocada na mesa e debatida.

As informações são da Dow Jones. 

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