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Fed deve manter cortes graduais de estímulos, diz Yellen

Em primeiro discurso no cargo, nova presidente do banco central dos EUA garante a continuidade da atual política monetária americana

Agência Estado, Texto atualizado às 15h30

11 de fevereiro de 2014 | 11h59

WASHINGTON - A nova presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen, em discurso preparado para ser lido no Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos, nesta terça-feira, 11, frisa aos parlamentares que espera "grande continuidade" nas políticas monetárias do país.

"Servi ao Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) quando formulamos nossa atual estratégia de política e eu apoio fortemente essa estratégia", diz o texto.

A dirigente sinaliza no texto que os dados recentes mais fracos não desviaram o Fed de sua estratégia de cortar as compras mensais de bônus em US$ 10 bilhões a cada uma das reuniões. Ela repetiu trechos do comunicado divulgado após a reunião de janeiro, dizendo que, se a economia melhorar como o Fed espera, o banco central "deve reduzir o ritmo das compras de ativos em passos comedidos nas futuras reuniões". Ela também enfatiza que o programa de compras de bônus não está em um "caminho determinado" e as autoridades tomarão decisões com base na perspectiva econômica e nos custos e benefícios do programa.

Avaliando a economia, Yellen disse que a "recuperação do mercado de trabalho está longe de completa", apesar do progresso feito no ano passado. A taxa de desemprego, que chegou a 6,6% em janeiro, ainda está "bem acima dos níveis" que o Fed considera sustentáveis em uma economia saudável, disse Yellen.

Ela também apontou sinais além da taxa de desemprego que sugerem que o mercado de trabalho ainda está fraco, incluindo a alta porcentagem de desempregados que estão fora da força de trabalho há mais de seis meses e o grande número de pessoas que trabalham meio período. "Essas observações destacam a importância de considerar mais que a taxa de desemprego quando se avalia o mercado de trabalho", afirmou.

Em seu depoimento, Yellen reiterou que, quando o gatilho de desemprego a 6,5% for alcançado, isso não significa um "aumento automático" das taxas de juros. "Isso indica que será apropriado para o Fomc considerar se a perspectiva mais ampla da economia justificará esse aumento."

Segundo ela, o Fed espera manter os juros próximos de zero "até bem depois" de a taxa de desemprego alcançar 6,5%. Yellen, porém, não mencionou a possibilidade de reduzir esse gatilho. Sobre a inflação, ela afirmou que parte da fraqueza reflete "fatores que devem acabar sendo transitórios", citando a queda nos preços do petróleo, por exemplo.

 

Sabatina. Na sessão de perguntas e respostas em sua audiência na Câmara dos Representantes, Yellen afirmou que a economia dos EUA ainda precisa que as taxas de juros sejam mantidas em níveis baixos. Segundo ela, a economia vem dando sinais de melhora, mas não seria bom o Fed elevar as taxas de juros agora.

Em respostas às perguntas dos deputados, Yellen defendeu o programa de compras de bônus do Fed e disse que houve sucesso na redução das taxas de juros de longo prazo, que era o objetivo do programa, e também na diminuição da taxa de desemprego. No entanto, observou, as condições que a economia norte-americana está enfrentando são muito incomuns, por isso ainda precisa de apoio do banco central.

Perguntada sobre em quais cenários o Fed poderia frear ou acelerar a redução das compras de bônus, Yellen afirmou que apenas uma mudanças significativa nas perspectivas para a economia ou a inflação poderiam provocar uma alteração nos planos do banco central. Se as condições permanecerem como estão atualmente, a redução gradual das compras mensais de ativos será mantida adiante, disse.

Yellen também respondeu a perguntas sobre o mercado de trabalho e disse que é preciso cuidado ao interpretar o que os relatórios mensais de emprego dos EUA significam. Para ela, grande parte do desemprego, especialmente os dados contidos nos relatórios de dezembro e janeiro, deve-se a fatores cíclicos, como o inverno rigoroso no país durante os dois meses. De todo modo, "o mercado de trabalho ainda não está normalizado", declarou Yellen.

Emergentes. Yellen disse que, até agora, o Fed não vê a recente turbulência nos mercados emergentes como uma ameaça à economia americana. "Temos observado de perto a recente volatilidade nos mercados financeiros globais. Nossa visão é de que, neste estágio, esses acontecimentos não representam risco substancial à perspectiva econômica dos EUA", afirmou.

O relatório semestral do Fed sobre política monetária, divulgado juntamente com o depoimento de Yellen, contém uma avaliação da recente turbulência nos emergentes. O texto aponta que, apesar de as mudanças nas expectativas com a política do Fed terem despertado a onda de vendas vista ano passado, a turbulência desta vez se deve a "alguns acontecimentos adversos" externos. 

Segundo Yellen, a política de um banco central tem o objetivo de alcançar determinados objetivos na economia de seu país e que o Fed não pode ser responsabilizado pela volatilidade dos mercados no exterior. Em depoimento no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, Yellen reconheceu que a abertura dos mercados globais de capital implica que alguns dos efeitos da política do Fed tenham impacto em outros países, mas lembrou que os dirigentes do Fed tentaram ser muito claros quanto à intenção de reduzir o ritmo do programa de estímulo à economia.

"Deixamos muito claro, desde o começo, que iniciamos nosso programa de compras de ativos e a política monetária acomodatícia de uma forma geral na tentativa de cumprir as metas que o Congresso atribuiu ao Federal Reserve. Tentamos ser tão claros quanto podíamos ser sobre como conduziríamos essa política, e estava claro desde o começo que à medida que nossa recuperação avançasse, reduziríamos o ritmo de nossas compras de ativos", afirmou Yellen.

Fonte: Dow Jones Newswires.

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