Fed eleva previsão de crescimento do PIB dos EUA em 2010 para até 3,7%

Autoridades do BC norte-americano esperam que a inflação permaneça contida e que o desemprego siga acima de 9% até 2012

Gustavo Nicoletta e Regina Cardeal, da Agência Estado,

19 de maio de 2010 | 15h17

A ata da reunião de política monetária do Federal Reserve ocorrida nos dias 27 e 28 de abril mostrou que o banco central norte-americano espera um crescimento de 3,2% a 3,7% na economia dos EUA em 2010. A previsão é maior do que a divulgada em janeiro, quando as autoridades esperavam uma expansão de 2,8% a 3,5% no Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano durante o mesmo período. 

Embora acreditem que a economia dos EUA está se recuperando, as autoridades do Fed esperam que a inflação permaneça contida - abaixo de 2% - e que o desemprego siga acima de 9% até 2012. Isso coloca o banco central numa posição forte para manter as taxas de juro de curto prazo em níveis próximos a zero "por um período prolongado".

Ainda segundo a ata, as autoridades do Fed estimaram que o núcleo da inflação - que não leva em consideração as oscilações nos preços de alimentos e de energia - ficaria entre 0,9% e 1,2% em 2010. No início do ano, essa previsão ia de 1,1% a 1,7%. As pontas mais altas das faixas de inflação previstas para 2011 e 2012 também foram revisadas para baixo.

A taxa de desemprego deve ficar entre 9,1% e 9,5% no quarto trimestre deste ano. "O mercado de trabalho aparentemente está começando a melhorar, mas a expectativa era de um crescimento modesto nos empregos", de acordo com a ata do Federal Reserve.

Desde a reunião de política monetária de abril, dados mostraram que a taxa de desemprego dos EUA cresceu para 9,9% em abril, de 9,7% em março, e a crise de confiança na dívida europeia intensificou-se acentuadamente.

Membros do Fed querem vender ativos

A maioria dos membros do board do BC dos EUA quer ver uma redução no balanço do Fed mais rapidamente do que ocorreria se o banco central simplesmente deixasse vencer o US$ 1,1 trilhão em ativos lastreados em hipotecas. Mas o Fed está dividido sobre quando deve começar a vender estes ativos, adquiridos durante a crise financeira por meio de um programa de emergência destinado a manter baixas as taxas de juro das hipotecas.

A maioria dos membros do board do Fed defendeu no mês passado adiar a venda de ativos até depois que o banco central eleve sua taxa meta de juro, segundo a ata da reunião do encontro dos dias 27 e 28 de abril.

"Tal postura adiaria qualquer venda de ativos até que a recuperação econômica esteja bem estabelecida e manteria as taxas de juro de curto prazo como instrumento-chave de política monetária do comitê", afirma a ata. Outros no Fed, no entanto, querem que o banco central passe rapidamente a descarregar os ativos lastreados em hipotecas que adquiriu, talvez sem ligar as vendas a um aumento dos juros. Neste cenário, o Fed anunciaria uma agenda geral para as vendas de ativos "em breve".

Com a dissensão do presidente do Fed de Kansas City, Thomas Hoenig, sobre a linguagem do comunicado divulgado ao fim do encontro, o comitê de mercado aberto do Fed votou em sua reunião de abril para manter o juro entre zero e 0,25%.

"As vendas mais cedo normalizariam o tamanho e a composição do balanço antes e desativariam pelo menos em parte as políticas não convencionais de estímulo adotadas durante a crise", disse a ata.

Os membros do Fed também estão divididos sobre o ritmo no qual as vendas de ativos devem ocorrer após serem lançadas. Alguns disseram que um início lento com as vendas realizadas num período de cinco anos daria ao mercado tempo para se ajustar. Alguns disseram que uma ação mais rápida, na qual as vendas seriam realizadas em três anos, seria mais favorável. "Na opinião deles, um ritmo relativamente rápido reduziria a chance de que o tamanho elevado do balanço do Fed e o alto nível associado das reservas podem aumentar as expectativas de inflação e a inflação", diz a ata.

Em sua reunião de abril o Fed não tomou decisões sobre sua estratégia de vendas de ativos de longo prazo. No curto prazo, no entanto, o Fed disse que continuará a permitir que a dívida de agências e ativos lastreados em hipotecas que vencerem, serão resgatados e não substituídos. O Fed planeja continuar rolando seus Treasuries que vencerem.

Voto contrário

A ata da reunião do Fed dos dias 27 e 28 de abril mostrou que o presidente do Fed de Kansas City, Thomas Hoenig  - o único voto contrário nos últimos encontros do banco central norte-americano -, defendeu que "a meta da taxa dos Federal Funds deveria ser elevada em direção ao 1% neste verão (do hemisfério norte) e que o comitê poderia então fazer uma pausa para avaliar melhor a perspectiva econômica".

Na ocasião, as autoridades decidiram manter o juro dos Fed Funds na faixa de zero a 0,25% ao ano - recorde de baixa em que está desde dezembro de 2008 - e reiteraram que os juros permanecerão nesse patamar por um "período prolongado".

Hoenig, segundo a ata, acredita que a elevação do juro a 1% deixaria uma considerável política de acomodação instalada capaz de nutrir um "esperado declínio gradual no desemprego nos trimestres à frente e reduziria o risco de desequilíbrios financeiros e pressões inflacionárias nos próximos anos". Segundo ele, isso mitigaria a necessidade de levar o juro para níveis mais altos mais tarde na fase expansionista do ciclo econômico.

Hoenig dissentiu dos termos do comunicado divulgado ao fim da reunião do Fed porque acredita que não é mais aconselhável indicar que as condições econômicas e financeiras devem garantir "nível excepcionalmente baixos das taxas dos Federal Funds por um período prolongado".

As informações são da Dow Jones.

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