Fed mantém juro e sinaliza fim da compra de bônus em junho

Banco Central dos Estados Unidos manteve taxa de juros básicos inalterada entre 0% e 0,25% ao ano

Danielle Chaves, da Agência Estado,

27 de abril de 2011 | 13h44

O Federal Reserve manteve a taxa básica de juro entre 0% e 0,25% e sinalizou o fim do controverso programa de compra de bônus de US$ 600 bilhões como planejado, abrindo espaço para decisões desafiadoras sobre se eleva ou não as taxas de juros diante do alto nível de desemprego nos EUA.

O fim do programa - que o Fed criou em novembro do ano passado - já vinha sendo sinalizado pelo banco central norte-americano. Após a reunião de política monetária, o Fed afirmou que "vai concluir" as compras até o fim de junho.

Previsões

O Federal Reserve norte-americano revisou suas projeções econômicas para este ano e os seguintes. As projeções são para a variação do PIB real, a taxa de desemprego média no último trimestre do ano considerado, o índice de preços dos gastos com consumo (PCE) e o núcleo do índice de preços do PCE. Ao fim da reunião de dois dias do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) encerrada hoje, o Fed divulgou a tabela abaixo (dados em %; a Tendência Central exclui as três maiores e as três menores previsões para cada indicador; a Faixa de Previsões inclui as previsões de todos os participantes da reunião; "Janeiro" refere-se às projeções anteriores do Fed, divulgadas no primeiro mês deste ano). As informações são da Dow Jones.

Veja a íntegra do comunicado:

"Informações recebidas desde que o Fomc se reuniu em março indicam que a recuperação econômica está prosseguindo a um ritmo moderado e que as condições gerais do mercado de mão de obra estão melhorando gradualmente. Os gastos dos consumidores e os investimentos das empresas em equipamento e software continuam a se expandir. Contudo, o investimento em estruturas não residenciais ainda está fraco e o setor de moradias continua deprimido. Os preços das commodities subiram significativamente desde o último verão e preocupações quanto à oferta global de petróleo bruto contribuíram para uma elevação adicional dos preços do petróleo desde que o Comitê se reuniu em março. A inflação se acelerou nos últimos meses, mas as expectativas de inflação para o longo prazo permaneceram estáveis e as medidas da inflação subjacente ainda estão contidas.

"Consistente com seu mandato estatutário, o Comitê busca fomentar o máximo emprego e a estabilidade dos preços. A taxa de desemprego permanece elevada e as medidas da inflação subjacente continuam bastante baixas em relação a níveis que o Comitê julga serem consistentes, no longo prazo, com seu mandato duplo. Elevações nos preços de energia e de outras commodities puxaram a inflação para cima nos últimos meses. O Comitê espera que esses efeitos sejam transitórios, mas vai prestar muita atenção à evolução da inflação e das expectativas quanto à inflação. O Comitê continua a prever um retorno gradual para níveis mais altos de utilização dos recursos num contexto de estabilidade dos preços.

"Para promover um ritmo mais forte de recuperação econômica e ajudar a assegurar que a inflação, ao longo do tempo, esteja em níveis consistentes com seu mandato, o Comitê decidiu hoje continuar a expandir suas posições em títulos, como anunciado em novembro. Em particular, o Comitê está mantendo sua política existente de reinvestir os pagamentos do principal de suas posições em títulos e vai completar compras de US$ 600 bilhões em títulos de prazos mais longos do Tesouro até o fim do trimestre atual. O Comitê vai revisar regularmente o tamanho e a composição de sua posição em títulos à luz das informações que receber, e está preparado para ajustar aquelas posições conforme seja necessário para fomentar da melhor maneira o máximo emprego e a estabilidade dos preços.

"O Comitê vai manter a faixa da meta para a taxa dos Federal Funds em zero a 0,25% e continua a prever que as condições econômicas, inclusive as taxas baixas de utilização dos recursos, a tendência contida da inflação e expectativas de inflação estáveis, provavelmente vão justificar níveis excepcionalmente baixos para a taxa dos Federal Funds por um período prolongado.

"O Comitê vai continuar a monitorar a perspectiva econômica e os acontecimentos financeiros e vai empregar suas ferramentas de políticas conforme seja necessário para apoiar a recuperação econômica e para ajudar a assegurar que a inflação, ao longo do tempo, esteja em níveis consistentes com seu mandato.

"Votaram a favor da medida de política monetária: Ben S. Bernanke, chairman; William C. Dudley, vice-chairman; Elizabeth A. Duke; Charles L. Evans; Richard W. Fisher; Narayana Kocherlakota; Charles I. Plosser; Sarah Bloom Raskin; Daniel K. Tarullo; e Janet L. Yellen."

(Texto atualizado às 14h18)

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