Feijão tem preço recorde em São Paulo

Estiagem prolongada no Estado provocou alta dos preços. Custo de produção do agricultor, porém, aumentou

José Maria Tomazela, do Estadão,

21 de novembro de 2007 | 17h19

A saca de 60 quilos de feijão de boa qualidade era vendida por R$ 180 na segunda-feira no sudoeste paulista, responsável por 80% da produção estadual. É o maior preço já alcançado em 15 anos, diz o agrônomo Vandir Daniel da Silva, da Secretaria de Agricultura paulista, em Itapeva.Só na primeira semana de novembro, a alta de preço quase atingiu a grande valorização que o produto teve em outubro, quando o feijão acumulou aumento de 35,5%, passando de R$ 91,16 a saca para R$ 123,52, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA). Para Silva, a valorização decorre da escassez do produto, provocada pela longa estiagem. ''''Tivemos 90 dias de seca e muitos deixaram de plantar.'''' Quem plantou, em agosto, na expectativa das chuvas, perdeu a semente e o preparo do solo.QUEDA DE ÁREANa região, maior produtora do Estado, a área caiu 50%. Só em Itapeva, reduziu-se de 9 mil para 6 mil hectares, em comparação com a safra das águas de 2006. Nos supermercados, o preço do feijão novo para o consumidor já chega a R$ 4 o quilo.A valorização, no entanto, tem pouco efeito sobre a renda dos agricultores. É que apenas os que irrigaram tiveram bom resultado, porém com custo maior. ''''Sob o pivô, produzi 45 sacas por hectare, mas o custo subiu para R$ 2.400/hectare'''', diz o produtor Eurides Dognani, de Taquarituba. Ele irrigou 145 hectares, parte pelo sistema convencional, com bombas de óleo diesel. Por causa do gasto com combustível, apenas o custo da irrigação chegou a R$ 1.200/hectare. Mesmo assim, ele contabiliza ganho suficiente para compensar os maus resultados de anos anteriores. ''''Sempre plantei feijão e estou acostumado: a gente ganha bem num ano e perde em dois.''''Muitos produtores enfrentaram a falta de água até para irrigar. Foi o que ocorreu com Pedro Felício, de Paranapanema. Seu açude secou e ele pediu água emprestada. ''''Fiquei sem água até para o gado.'''' A seca fez com que a média de produtividade, mesmo com irrigação, ficasse em 48 sacas por hectare, ante 60 sacas/hectare irrigados plenamente.Conforme Silva, a expectativa é a de que o preço do feijão se mantenha elevado. O novo plantio, do feijão da seca, ocorre apenas em dezembro, com colheita prevista para março e abril. Apesar dos preços elevados, não há previsão de aumento em área nessa safra, pois o plantio ocorre num período em que as culturas de milho e soja estão em desenvolvimento. INFORMAÇÕES: Casa da Agricultura de Itapeva, (0--15) 3522-4646var keywords = "";

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