Feira náutica em SP deve movimentar R$ 150 milhões

Evento conta com a presença dos principais estaleiros do País, além de importadores e lojas especializadas

Pedro Henrique França, da Agência Estado,

02 de outubro de 2007 | 18h20

O financiamento expandiu, o dólar caiu e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foi reduzido. Diante deste cenário, Ernani Paciornik, diretor e organizador da 10.ª edição da São Paulo Boat Show, feira voltada para o mercado náutico, acredita em um aquecimento de vendas no setor, tanto internamente quanto fora do País.   A São Paulo Boat Show começa nesta quinta-feira, 4, no Transamérica Expo Center Norte, em São Paulo, e vai até a próxima terça. A expectativa de Paciornik é que o evento deva gerar R$ 150 milhões em volume de negócios. Para isso, o evento conta com a presença dos principais estaleiros do País, além de importadores e lojas especializadas do ramo.   No período serão mostrados mais de 30 novos lançamentos, entre lanchas, jet skis, iates, velas e outros tipos de embarcações náuticas. Além disso, haverá um "Espaço dos Desejos", onde serão apresentadas as últimas novidades no infindável mundo dos celulares, as geladeiras mais "high-tech" e até mesmo a evolução no sistema de iluminação.   Mas nada de conceituar como mercado de luxo. Segundo Paciornik, o barco está mais popular e hoje é quase como "um segundo carro". "Quem compra é o mesmo que adquire um segundo carro. E que em vez de comprar o segundo carro, compra um barco", diz. "Tem barco para todos", emenda.   Para o diretor da São Paulo Boat Show, quem faz o mito em torno do mercado é a imprensa, que "só mostra os barcos de R$ 2 milhões". Paciornik lembra: "Há muito mais barcos de R$ 20 mil do que de R$ 2 milhões, mas só divulgam o mais caro".   Segundo ele, a estimativa é que 40 mil pessoas circulem nos sete dias de evento. Com a proximidade do verão brasileiro, ele diz que grande parte do público são compradores "comuns" que vêem o barco como lazer para "fugir do estresse".   No Exterior, Paciornik destaca os "principais compradores" de produtos náuticos brasileiros. Entre eles, cita a Suécia, Espanha, Grécia e países do Oriente Médio. "O Brasil foi descoberto pro mundo."   Dados da Associação Brasileira dos Construtores de Barco (Abrocar) atestam que as exportações cresceram nos últimos dois anos e apontam a qualidade do produto como fator atrativo no mercado estrangeiro. Em 2005, o volume exportado ficou em torno de US$ 11,216 milhões. No ano passado, este número subiu para US$ 16,1 milhões.   Para 2007, a previsão é que o volume de exportações se mantenha estável com números equivalentes ao do ano passado. Em termos de produção, o setor acredita em um aumento de 10% ante 2006, quando ficou em 3,5 mil unidades.   De acordo com Paciornik, apesar da redução do IPI para barcos de até 12 metros, de 25% para 10%, que trouxe melhores condições de negócios no mercado, a expectativa é de mais mudanças. Em barcos acima de 12 metros a taxa continua sendo de 25%. "Nossa indústria é totalmente artesanal e grande geradora de empregos. Não é justo que se pague tantos impostos", reivindica Paciornik.   Para ele, o ICMS, hoje em 25%, também deveria recuar. "Se é pra incentivar o emprego tem que baixar o imposto. O que aconteceu com a indústria de computadores? Baixou imposto e vendeu milhões", comparou Paciornik. "O setor (náutico) está feliz, mas espera mais", acrescenta.   O diretor volta a enfatizar que o barco não é um produto supérfluo e que estão equivocados aqueles que fazem essa avaliação. "O barco é encarado com supérfluo, mas isso está errado. Ele é um produto familiar, esportivo, de convivência e lida com altos índices de emprego."

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