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Festival de Publicidade de Cannes deve ficar menor e melhor

"Será o Festival da qualidade, e não da quantidade", diz a jurada Sophie Schoenburg

Marili Ribeiro, de O Estado de S.Paulo,

19 de maio de 2009 | 16h57

Os dez jurados brasileiros na 56ª edição do Festival Internacional de Publicidade de Cannes, que acontece entre 20 e 27 de junho na costa francesa, vão enfrentar uma maratona de julgamentos para fazer as peças da propaganda brasileira se destacarem. O País terá presença em dez das onze categorias em julgamento no maior evento da publicidade mundial.

O Brasil só ficou de fora do júri de Titanium & Integrated, que escolhe os melhores trabalhos publicitários desenvolvidos em diferentes plataformas de comunicação ao mesmo tempo. Uma das categorias que indica o futuro do negócio da publicidade, mas que ainda não é feita na mesma intensidade entre todos os países que participam das disputas. Nem todos os anunciantes, mesmo os que dispõem de polpudas verbas, estão preparados para investir em campanhas que são feitas para múltiplos canais de mídia ao mesmo tempo.

O time de jurados brasileiros deste ano contempla também a mais nova categoria que terá trabalhos julgados pela primeira vez este ano no Festival, que é a premiação das ações de relações publicas, ou PR Lions. Há hoje nos grandes grupos empresariais uma tendência de valorização dos trabalhos de comunicação corporativa que são desenvolvidos paralelamente aos investimentos em propaganda e ações de marketing.

 

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O jornal o Estado de S.Paulo representa o evento no País. No ano passado, o Brasil concorreu com 2.461 peças, 10% do total enviado por 85 países. Este ano deve haver um retração da participação brasileira. Embora os números oficiais ainda não tenham sido liberados pelos organizadores do evento, há indicações de que o Brasil terá cerca de 30% menos comerciais e peças inscritas no geral. Por causa da crise econômica global, há uma redução de participação em todos os festivais publicitários realizados até o momento. Para jurados brasileiros, esse cenário de retração da participação não só brasileira, mas geral, acentuará ainda mais a qualidade do que será inscrito este ano.

A crise não poupou nem mesmo os que vivem de vender otimismo e incentivar o consumo. Na última edição, o Festival teve mais de 22 mil peças publicitárias, avaliadas em duas semanas de atividades dos diferentes júris. Este ano, ninguém arrisca prognósticos sobre a quebra de participação. Mas a crise já derrubou as tradicionais festas promovidas por redes mundiais de agências, como as famosas promovidas pela DDB Worldwide e a Leo Burnett. Em contrapartida as palestras e os debates ganharam cunho mais econômico. Está na agenda da programação a presença de CEOs da Procter & Gamble, Kraft, McDonald's e Google.

No Brasil, esse cenário de cautela não é diferente. Os dez brasileiros que farão parte do júri compartilham de uma mesma sensação - ainda que menor, o Cannes Lions segue sendo a melhor vitrine para expor a criatividade. "A crise pode até ajudar os jurados em suas tarefas, ao limitar os trabalhos inscritos aos melhores dos melhores", diz Eco Moliterno, vice-presidente de criação da agência Wunderman e jurado na categoria Cyber, que avalia os trabalhos criados para mídia online.

"Será o Festival da qualidade, e não da quantidade", acrescenta Sophie Schoenburg, redatora da AlmapBBDO, que julgará os anúncios em filmes publicitários, a categoria que deu origem ao Festival, que este ano realiza a sua 56ª edição.

Mesmo que o Festival seja menor, o número de peças que alguns jurados têm de avaliar requer preparo de atleta. Para contornar isso, a empresa organizadora do evento, a inglesa Emap, avisou aos jurados da estreante categoria PR - que vai julgar ações de comunicação corporativa e relações públicas -, que terão de chegar ao evento já tendo visto pelo menos 25% dos trabalhos. "É emocionante participar em um ano de crise, que por si exige esforço excepcional, e ainda estar na estreia do PR Lions", diz Andrew Greenless, vice-presidente da agência de comunicação CDN.

Já o colombiano de nascimento, mas brasileiro, com leve sotaque, Leo Macias, diretor de criação da Talent, não nega a responsabilidade de fazer parte do júri - ele é o representante brasileiro na categoria Press, de anúncios impressos. "Acho mesmo que teremos menos peças para julgar, mas de escolha muito mais difícil", diz.

"A crise é financeira, e não criativa", defende outro jurado, André Faria, da F/Nazca Saatchi & Saatchi, que julgará propaganda para rádio. Para ele, a atual edição do Festival pode até mesmo surpreender por estimular a habilidade em se buscar soluções com menos dinheiro. Sua agência, um das grandes participantes de Cannes, anunciou este ano que ficará de fora. A agência preferiu preservar empregos a gastar com inscrições em festivais, como informou em comunicado ao mercado.

BARACK OBAMA

David Plouffe, coordenador de marketing da campanha eleitoral do novo presidente norte-americano, será uma das estrela do Festival este ano. Vai participar do seminário patrocinado pela DDB Worldwide e falará sobre "Audácia e Sucesso das Marcas". Plouffe foi considerado por Obama um verdadeiro herói, e quem construiu a melhor campanha política da história eleitoral dos Estados Unidos. Ele é apontado como o profissional que conseguiu mixar ações de internet e de propaganda convencional com um resultado que foi fundamental para o sucesso de Obama nas urnas. Bob Scarpelli, chairman e cco da DDB mundial, garante que a estratégia de Plouffe transformou Obama na Marca do Ano em 2008.

150 LEÕES DEPOIS...

A Volkswagen receberá este ano o prêmio de "Anunciante do Ano" na edição de 2009 do Festival de Cannes. A organização do evento divulgou a escolha da montadora para a premiação que é destinada a contemplar os anunciantes que se destacaram pela inovação em suas ações de marketing e pelo incentivo à criatividade nos trabalhos desenvolvidos por suas agências. O troféu será entregue ao vice-presidente da companhia alemã, Jochen Sengpiehl. Em todo o seu histórico de participação no maior Festival, a Volkswagen conquistou, com os seus anúncios, mais de 150 Leões em diferentes categorias. Os troféus em forma de Leões são os prêmios mais ambicionados pelos profissionais do meio publicitários global.

YOUNG

Um planejador, um mídia e uma dupla criativa devem compor a equipe brasileira que participará do primeiro concurso Young Integrated que o Cannes Lions vai promover este ano para ser avaliado pelo júri de Titanium & Integrated. O projeto Young Lions completa, em 2009, quinze anos no Brasil e é coordenado por Emmanuel Publio Dias, diretor de Marketing da ESPN. Segundo ele, neste ano o Brasil terá pelo menos 11 jovens profissionais participando oficialmente das disputas em Cannes. O Brasil terá uma dupla em Film, outra em Print e mais uma em Cyber, além do jovem criativo em Media. No ano passado, entre competidores e participantes, o país levou 17 jovens profissionais ao Festival.

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