FGV: agricultor sem Pronaf representa 76% do valor da produção

Brasília, 16 - Os produtores rurais que não estão incluídos no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura familiar (Pronaf) são responsáveis por 76,4%, ou R$ 104,6 bilhões do total de R$ 136,7 bilhões do valor bruto da produção agropecuária nacional. Esse grupo representa 32% dos 4,8 milhões de estabelecimento rurais do País, ou seja, 1,6 milhão de estabelecimentos. Os dados fazem parte do estudo "Quem Produz o Que no Campo: Quanto e Onde", desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e divulgado hoje pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). De acordo com avaliação da CNA, embora a agricultura familiar, enquadrada nos critérios do Pronaf, represente 68% dos estabelecimentos rurais (3,3 milhões) ela produz apenas 23,6%, ou R$ 32,1 bilhões da receita bruta do setor. De acordo com dados do Censo Agropecuário 95/96 analisados por região, e no total do Brasil, foi possível verificar, de acordo com a CNA, que em termos de lavoura, médios e grandes produtores respondem por 95,7% do valor bruto da produção de cana-de-açúcar, 85,6% de laranja, 80,2% de algodão, 79,3% de café, 77,5% de grãos e 76,3% de batata. Mesmo na horticultura, cuja atividade se concentra em pequenas propriedades, esse grupo de produtores, sem acesso ao Pronaf, responde por 57,8% da produção. No setor de proteínas animais, o estudo da FGV mostra que 90,8% do valor bruto da produção de aves, 89,5% de bovinos, 82,8% de ovos, 71,8% de suínos e 65,9% de leite resultam da atividade desenvolvida por proprietários que não têm acesso às linhas do Pronaf. De acordo com a FGV "a importância dos estabelecimentos enquadráveis (atendidos pelo Pronaf) deriva do fato de representarem um contingente muito numeroso, de 3,3 milhões de estabelecimentos, em comparação com 1,5 milhão dos não enquadráveis. O estudo mostrou também que a atividade dessas propriedades é significativa nos seguintes produtos: fumo (86,3%), mandioca (73,2%), horticultura (42%). Nos demais produtos essa participação cai de forma expressiva: grãos (22%), batata (23,7%), café (20,7%), algodão (19,8%), laranja (14,4%), cana-de-açúcar (4,3%) e silvicultura (4,8%). "O estudo comprova que a quantidade de produtores enquadráveis e não enquadráveis aos critérios da agricultura familiar é inverso à sua participação na geração do valor bruto da produção da agropecuária brasileira", comentou Ignez Lopes, coordenadora do trabalho.

Agencia Estado,

16 de dezembro de 2004 | 12h58

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