Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Mercado no Brasil subirá 9% e Argentina só terá expansão 'real' em 2020, acredita Fiat Chrysler

Otimismo se baseia principalmente nas primeiras declarações e ações do novo governo

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2019 | 15h56

O presidente da Fiat Chrysler (FCA) para a América Latina, Antonio Filosa, afirmou nesta sexta-feira, 8, que a previsão do grupo para o mercado brasileiro de veículos é de expansão de 9% neste ano, abaixo, portanto, da alta vista no ano passado, de 14%.

Filosa disse ainda que espera que o número de veículos financiados cresça de 12% a 15% em 2019. "É mais provável, portanto, que o crescimento das vendas seja mais pautado por vendas a crédito do que por vendas à vista", disse o executivo em conversa com jornalistas em São Paulo. Nos últimos anos, as vendas à vista contribuíram mais para o avanço do mercado.

"O ano de 2019 será o ano das famílias, da recuperação da confiança do consumidor do crédito mais competitivo", afirmou o executivo, que espera que os clientes de menor poder aquisitivo voltem a tomar empréstimos para que os carros mais baratos também cresçam em vendas.

Na Argentina, segundo maior mercado para a montadora na América do Sul e onde as vendas de veículos voltaram a cair em 2018, o mercado deve retomar o crescimento a partir de julho ou agosto deste ano, disse o executivo. No entanto, será uma expansão sobre uma base muito baixa. "Só devemos ter um crescimento 'real' no segundo trimestre de 2020, quando houver uma combinação positiva de juros, inflação e crédito", disse o executivo, que confia na recuperação como consequência do acordo de socorro financeiro que o governo argentino fechou com o FMI.

Para todo o ano de 2019, a Fiat Chrysler projeta que as vendas caiam para um volume de 600 mil unidades. Em 2018, segundo a Acara, associação de concessionárias, o mercado somou cerca de 800 mil unidades.

Plano de investimento no País está 'a todo vapor'

Antonio Filosa também disse que a montadora está otimista com o novo governo e a equipe econômica. "É por isso que nosso plano (de investimento) está a todo vapor", disse o executivo, em conversas com jornalistas em São Paulo.

Segundo o executivo, o otimismo se baseia principalmente nas primeiras declarações e ações do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes. "O governo está trabalhando para gerar a competitividade necessária para que o Brasil seja um ator importante globalmente. Isso é música para nossos ouvidos", afirmou.

Em 2018, antes mesmo da vitória eleitoral de Bolsonaro, a Fiat Chrysler anunciou a intenção de investir R$ 14 bilhões no Brasil até 2022. Segundo Filosa, o primeiro resultado desse plano será visto no início de 2020, com o lançamento de um carro que será produzido na fábrica de Betim, Minas Gerais.

Em seguida, a montadora pretende lançar um carro por semestre até 2022. Um dos mais esperados é o primeiro SUV da marca Fiat produzido no Brasil, previsto para 2021.

O executivo disse ainda que a empresa nunca sairá do Brasil e minimizou a busca pela retomada da liderança nas vendas, perdida em 2016 para a GM, que no mês passado ameaçou deixar de produzir no Brasil caso não voltasse a ter lucro em 2019. A Fiat Chrysler, somando as vendas de veículos das marcas Fiat e Jeep, ocupa a segunda posição.

Questionado sobre se estava confortável com a atual posição no ranking de vendas, o executivo disse que "a posição confortável é que a te permite entregar resultados financeiros confortáveis". Segundo ele, a operação brasileira foi lucrativa no ano passado.

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