REUTERS/Thomas White/Illustration
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Fiat Chrysler vende fabricante de autopeças Magneti Marelli para empresa nipo-americana

Japonesa Calsonic Kansei, que atua no mesmo segmento, efetuou compra por US$ 7,1 bilhões

Reuters, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2018 | 10h43

A japonesa Calsonic Kansei, controlada pelo fundo de investimento norte-americano KKR, concordou em comprar a Magneti Marelli, da Fiat Chrysler Automibiles (FCA), por US$ 7,1 bilhões, para se tornar a sétima maior fornecedora independente de autopeças do mundo.

O primeiro grande acordo do recém-nomeado diretor executivo da FCA, Mike Manley, que assumiu em julho após a morte súbita do então chefe de longa data Sergio Marchionne, cria uma empresa com receita de US $ 17,5 bilhões, disseram as empresas.

A recém-formada Magneti Marelli CK Holdings deverá cortar custos por meio de sinergias e expandir sua base de clientes à medida que os fabricantes de componentes tentam acompanhar a mudança das montadoras para a condução autônoma, carros conectados e veículos elétricos.

"Essa combinação com a Calsonic Kansei surgiu como uma oportunidade ideal para acelerar o crescimento futuro da Magneti Marelli", disse Manley na segunda-feira, 22, de uma unidade da Fiat Chrysler, especializada em iluminação, motor e eletrônica de alta tecnologia.

As ações da montadora italiana subiram 5,2%, com os investidores comemorando o preço elevado do negócio, o que deve impulsionar a posição de caixa líquido da Fiat Chrysler e aumentar expectativas sobre uma recompra de ações.

"Conseguir que essa transação seja concluída no preço acordado é um marco e uma conquista precoces", disse George Galliers, analista da Evercore ISI, sobre a capacidade de Manley e sua equipe de igualar a reputação de firmar acordos da gestão comandada por Marchionne.

A gestão do antecessor, Sergio Marchionne, iniciou um processo para desmembrar a unidade e distribuir suas ações para os acionistas da FCA no início de 2019, mas disse em junho que a FCA ainda estaria “receptiva” a uma oferta.

Nem a FCA nem seu principal acionista, a família fundadora da Fiat, Agnelli, terão participação no negócio combinado, mas a FCA disse que entraria em um acordo de vários anos para garantir suprimentos a suas fábricas e também manter operações e equipes na Itália.

Ambição global

A KKR comprou a Calsonic da Nissan e de outros acionistas em 2016, dizendo que ajudaria a fabricante de peças, que depende da montadora japonesa para a maioria de suas vendas, a se expandir globalmente.

A Calsonic está em conversações com a FCA há meses e fez uma oferta inicial de € 5,8 bilhões, disseram fontes.

A FCA não divulga os lucros da Magneti Marelli, que está dentro de sua unidade de componentes, juntamente com a especialista em robótica, Comau, e a empresa de fundição Teksid. A unidade emprega cerca de 43.000 pessoas e opera em 19 países.

A aquisição da Magneti Marelli permaneceu indefinida, uma vez que os possíveis interessados ofereciam pouco ou só desejavam adquirir algumas partes do negócio.

A FCA também preferiu a oferta da Calsonic a um concorrente de private equity porque limita o risco de a unidade ser desmembrada, disseram fontes.

O JP Morgan e o Goldman Sachs foram consultores financeiros da FCA sobre o acordo, que deve ser fechado no primeiro semestre do próximo ano e está sujeito a aprovações regulatórias.

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