Fiat suspende plano de investimentos na Europa

A Fiat colocou seus planos de investimentos na Europa em espera até que veja sinais de recuperação do mercado e não vai mais divulgar detalhes do plano no próximo mês, como era esperado, disseram duas fontes próximas da situação nesta segunda-feira.

Reuters

24 de setembro de 2012 | 11h43

O presidente-executivo da Fiat, Sergio Marchionne, que também lidera a controlada norte-americana Chrysler, se reuniu com o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, no sábado, devido a preocupações de que o grupo estaria planejando transferir a produção para fora da Itália, onde as vendas de carros caíram para o menor nível em 40 anos.

Após cinco horas de conversas, um comunicado conjunto afirmou que a empresa não fechará fábricas e irá focar o modelo de negócios doméstico para a exportação de carros para fora da Europa. Isso indicou que a Fiat pode começar a fazer veículos na Itália para vender nos Estados Unidos, onde as vendas da Chrysler neste ano têm sido excepcionalmente fortes.

A Fiat e ministros do governo italiano vão se reunir para encontrar uma forma da empresa fabricar carros para exportação a partir da Itália, onde o grupo emprega mais de 20 mil pessoas, a preços competitivos.

Isso pode envolver condições especiais a serem concedidas pelo governo para modelos vendidos nos EUA como o Jeep e, no futuro, Alfa Romeo.

Trabalhadores e investidores que esperavam por detalhes da estratégia de produtos e fábricas da Fiat terão que esperar mais do que até 30 de outubro, a data inicial para a divulgação do novo plano de investimentos da Fiat.

"Não haverá um plano em 30 de outubro", disse uma das fontes. "Programações e investimentos serão feitos quando as condições forem certas... no futuro, em uma data que ainda tem que ser definida." A Fiat não comentou o assunto.

A companhia, em vez disso, pode decidir atualizar suas metas de 2012 em 30 de outubro, disse uma segunda fonte, apesar de Marchionne ter reiterado nesta segunda-feira em Turim os objetivos. Na ocasião ele afirmou que não vê uma recuperação do mercado de automóveis da Europa até pelo menos 2015.

"O mercado de automóveis da Europa é um desastre. Afundou em um precipício e não parece ter atingido o fundo ainda", disse o executivo.

Marchionne foi chamado por Monti para dar detalhes da estratégia da Fiat para suas fábricas deficitárias na Itália. O premiê, que tenta evitar que a Itália caia num colapso financeiro, afirmou nesta segunda-feira que Marchionne não pediu ajuda ou recursos adicionais para um programa de suspensão de contratos de trabalho financiado pelo Estado.

"Ajuda financeira não foi pedida e se tivesse sido requisitada, não seria concedida", disse Monti a jornalistas.

O grupo Fiat-Chrysler, que gera mais de dois terços do lucro nos EUA, até agora definiu para a Itália apenas uma fração dos 16 bilhões de euros em novos investimentos divulgados em um plano de cinco anos anunciado em 2010.

A Fiat informou na semana passada que não é realista esperar que um projeto anunciado há dois anos e meio continuasse inalterado e Marchionne disse que não vai jogar dinheiro pela janela em investimentos durante a crise do mercado europeu.

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