Fibria vê desafio em manter preços da celulose

O presidente da Fibria, Marcelo Castelli, afirmou nesta quinta-feira que os preços da celulose praticados no mercado estão um pouco abaixo dos valores considerados de referência, hoje em US$ 860 na América do Norte, US$ 800 na Europa e US$ 700 na Ásia. A situação decorre do momento de ajuste pelo qual passa o mercado de celulose, principalmente da celulose de fibra longa.

ANDRÉ MAGNABOSCO, Agencia Estado

26 de julho de 2012 | 12h05

A queda dos preços do produto fabricado principalmente no Hemisfério Norte pressiona os valores da celulose de fibra curta, caso do eucalipto do Brasil. Por isso, destaca o executivo, o principal desafio da companhia neste momento será manter os preços nos atuais patamares. "Não temos nenhuma percepção se teremos algum espaço para novo aumento em 2012. O desafio seria mais em segurar os preços nos patamares que estão", afirmou o executivo, em conversa com jornalistas.

Analistas que acompanham o setor cogitam a possibilidade de que os preços da celulose de fibra curta caiam entre agosto e setembro, em um patamar ao redor de US$ 30 por tonelada. Castelli destaca que os clientes pressionam por queda dos preços, mas complementa que essa situação é comum. "Se houver ajuste, não haverá volatilidade muito grande", afirmou.

Uma queda moderada de preços não seria tão negativa para a companhia, uma vez que o câmbio permanece nas últimas semanas em um patamar considerado positivo para indústrias exportadoras. Além disso, uma eventual redução estaria alinhada com a situação dos clientes do setor de papéis, os quais enfrentam maior dificuldade para repassar aos clientes a alta de custos com a compra de celulose. "Os fundamentos mostram que o mercado continua apertado", disse Castelli. Com isso, a atenção da companhia está na capacidade dos clientes em repassar a alta de preços para a cadeia.

Três Lagoas

A perspectiva positiva em relação aos negócios no segundo semestre deste ano é revisada quando considerado um cenário de médio e longo prazo, com a entrada de novas capacidades principalmente na América do Sul. Por isso, a Fibria permanece cautelosa em relação ao projeto de construção de uma nova fábrica de celulose em Três Lagoas (MS), com início de operação previamente sinalizado para 2014. Para tanto, a decisão precisaria ser tomada ainda em 2012.

"Os estudos de engenharia básica continuam em andamento, mas ainda não temos nenhuma decisão. Se fôssemos decidir hoje, o projeto não iria para frente face a volatilidade macroeconômica do mercado mundial", afirmou Castelli. Os investimentos da companhia neste ano devem somar aproximadamente R$ 1,1 bilhão, mas o executivo não descarta a possibilidade de o número sofrer um leve ajuste para baixo.

Castelli também reafirmou que a intenção da companhia de negociar ativos na região Sul do País deverá ser confirmada até o final de 2012. É o mesmo prazo que havia sido dado anteriormente pela direção da Fibria.

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