Fibria vê mercado aquecido de celulose e projeta estabilidade de preços

Presidente da empresa destacou que o ambiente de negócios no começo de 2011 é melhor do que o de 2010

André Magnabosco, da Agência Estado,

16 de fevereiro de 2011 | 11h32

O presidente da Fibria, Carlos Aguiar, afirmou que os preços internacionais e a demanda global por celulose devem apresentar "regularidade" em 2011. Evitando projeções futuras sobre valores, Aguiar destacou que o ambiente de negócios no começo de 2011 é melhor do que o apurado em 2010 e segue um patamar de 4,8 milhões de toneladas de demanda no final do ano passado.

"A demanda asiática subiu no final do ano passado, a demanda na Europa está regularizada, apesar das complicações em países como Portugal e Espanha, e a situação nos Estados Unidos está tranquila", afirmou o executivo, durante teleconferência com jornalistas realizada há pouco.

Aguiar lembrou que não há previsão de entrada de novas capacidades no curto prazo, e por isso a relação entre oferta e demanda deve permanecer apertada. No balanço divulgado mais cedo, a Fibria destacou que o balanço entre oferta e demanda deve ficar em 92% neste ano, acima, portanto, dos 90% de 2010. "O ano de 2011 inicia-se com os fundamentos de oferta e demanda equilibrados, com redução sazonal da demanda em janeiro e fevereiro, porém recuperando em março", destacou o documento.

O relatório referente aos resultados do quarto trimestre de 2010 também confirma a queda nos preços de celulose praticados no mercado internacional, conforme noticiado anteriormente pela Agência Estado. O preço lista (de referência) do insumo na Europa, que estava estável em US$ 870 por tonelada desde agosto, caiu para US$ 850 por tonelada em dezembro. Já a cotação no mercado asiático caiu de US$ 800 para US$ 750 por tonelada no mesmo período.

A companhia prevê que a capacidade mundial de produção de papéis sanitários terá um incremento de 5,3%, o equivalente a 1,8 milhão de toneladas. Em 2012 o aumento da produção será de 4,5%. Com isso, a produção acumulada terá expansão de 4,5 milhões de toneladas, o que demandará fornecimento adicional de aproximadamente 3,9 milhões de toneladas de celulose de mercado. O mercado de papéis sanitários é o principal cliente da celulose produzida pela Fibria, juntamente com os fabricantes de papéis de imprimir e escrever.

A direção da Fibria prevê ainda que aproximadamente 1 milhão de toneladas de celulose sejam retiradas do mercado global devido às paradas para manutenção a serem realizadas ao longo do primeiro trimestre de 2011. Especificamente a Fibria paralisará suas operações por aproximadamente 10 dias, somente a partir de abril e maio. As fábricas de Aracruz (ES) e Veracel (BA) devem parar temporariamente ainda no primeiro semestre. Já as unidades de Jacareí (SP) e Três Lagoas (MS) devem passar por paradas para manutenção ao longo do segundo semestre. 

Dívida

Uma importante etapa do processo de criação da Fibria deverá ser concluída no início do segundo semestre deste ano. Está previsto para o próximo dia 5 de julho o pagamento da última parcela referente à compra da Aracruz pela Votorantim Celulose e Papel (VCP), no valor de R$ 600 milhões. A penúltima parcela, no valor de R$ 856 milhões, foi paga no início do mês passado.

O acordo com as famílias Safra, Lorentzen, Moreira Salles e Almeida Braga, ex-controladoras da Aracruz, previa o pagamento de R$ 5,4 bilhões pelo controle da empresa e conseqüente unificação com a VCP, resultando na criação da Fibria. Para fazer frente aos vencimentos junto aos antigos controladores e demais dívidas da nova empresa, a Fibria realizou uma série de medidas, entre elas a venda de ativos e a assinatura de acordos financeiros.

De acordo com o diretor financeiro e de Relações com Investidores da Fibria, João Elek, as dívidas com ex-acionistas da Aracruz representam mais de 50% do total de endividamento a vencer em 2011 (R$ 2,087 bilhões). "O restante é referente a dívidas menores. Não há pressão", afirmou o executivo, em teleconferência com jornalistas realizada nesta manhã. A despeito disso, Elek ressaltou que a Fibria não está fechada a novas capturas de recursos. "Se tivermos boas oportunidades (para emitir novas dívidas), vamos olhar com bastante consideração", ressaltou.

Conpacel

O presidente da Fibria afirmou que a projeção de captura de sinergias provenientes da união das operações das extintas Aracruz e Votorantim Celulose e Papel (VCP) está mantida em R$ 4,5 bilhões a valor presente líquido (VPL), a despeito da venda da participação de 50% do Conpacel para a Suzano Papel e Celulose no final do ano passado.

O otimismo do executivo coincide com o êxito da companhia em capturar sinergias até o momento. A projeção para 2010, que era de alcançar R$ 2,6 bilhões em VPL, foi ultrapassada em aproximadamente R$ 100 milhões. "Não quero subir o valor de R$ 4,5 bilhões para R$ 4,6 bilhões porque falamos de um número bastante expressivo", afirmou Aguiar em teleconferência com jornalistas realizada há pouco. A captura de R$ 4,5 bilhões em sinergias deve ser atingida em 2012.

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