Fiesp alerta para risco dos importados à economia brasileira

Para presidente da Federação, os riscos desse modelo são a moeda valorizada, juros elevados e 'gastos públicos descontrolados'

Chiara Quintão, da Agência Estado,

30 de agosto de 2010 | 10h53

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, disse, há pouco, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve o mérito de trazer para o consumo 55 milhões de novos consumidores, mas ressaltou que, em função de a economia não estar bem "lá fora", a questão dos importados se torna um risco iminente para a política econômica adotada. Steinbruch participa do 7º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.

O presidente da Fiesp se referiu às turbulências internacionais como uma "crise serrote", devido à "inconstância", ao "sobe e desce lá de fora". Steinbruch disse que seus comentários não são uma crítica ao governo, mas um apoio, e se referiu ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também participa do evento, como "sempre próximo".

"Desenvolvemos um modelo brasileiro que, eventualmente, pode ser replicado em outros países: salário, com mais renda e mais crédito, que se tornam mais consumo. Acho que nunca estivemos tão bem. É a primeira vez, nos 40 anos em que trabalho, que vejo o Brasil crescer voltado para dentro", disse o presidente da Fiesp.

Na avaliação de Steinbruch, os riscos desse modelo são a moeda valorizada, "que vai nos custar caro em algum momento", juros elevados, que fizeram com que muitos empregos deixassem de ser criados, e "gastos públicos descontrolados". "Estamos vivendo mais um modelo de desindustrialização que de industrialização", afirmou, destacando o déficit na balança comercial de manufaturados. "Combustíveis, grãos e minério de ferro mascaram o resultado da balança", disse, durante o 7º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

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