Finep destinará R$ 130 mi para rede nacional do petróleo

As empresas brasileiras produtoras de peças e equipamentos para exploração de petróleo vão receber R$ 130 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para desenvolver novas tecnologias e melhorar seus produtos em conjunto com centros de pesquisa. Diferente do formato tradicional utilizado pela entidade, no qual cabe à academia apresentar projetos para solicitar os recursos, dessa vez a iniciativa caberá às empresas. Elas é que farão uma primeira manifestação de interesse e, só numa segunda etapa, formalizarão parceria com algum instituto de ciência e tecnologia (ICT).

LU AIKO OTTA, Agencia Estado

23 de julho de 2010 | 17h22

O objetivo da Finep é atacar os gargalos na cadeia produtiva nacional do petróleo que foram identificados num amplo estudo feito pelo Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), com apoio da Petrobras. "Há uma barreira grande entre o desenvolvimento de ciência e tecnologia e a demanda tecnológica da indústria", disse o representante do Prominp Vitor Saldanha durante uma videoconferência que reuniu industriais de 14 Estados ontem, na Confederação Nacional da Indústria (CNI). "A universidade não conhece a demanda da indústria."

Além da distância entre a pesquisa acadêmica e a necessidade das empresas, o estudo do Prominp identificou dificuldades que vão desde a falta de laboratórios até problemas em produtos de base, passando por problemas de gestão. Foi constatado, por exemplo, que o material forjado utilizado na fabricação de válvulas para a indústria do petróleo é muito poroso.

Dos R$ 130 milhões, R$ 100 milhões serão direcionados para resolver questões como essas em seis setores: válvulas, conexões e flanges, umbilicais submarinos, calderaria, construção e instrumentação e automação. Além da melhoria dos produtos de base, serão aceitos projetos para inovar equipamentos e para as chamadas pesquisas de fronteira - no caso, tecnologia para perfuração do pré-sal. Os outros R$ 30 milhões serão utilizados para equipar laboratórios.

O valor mínimo para cada projeto é de R$ 1 milhão e as empresas deverão apresentar uma contrapartida, que pode ser financeira ou não financeira. No último caso, são despesas que podem ser comprovadas economicamente, como horas trabalhadas de pesquisadores, por exemplo. No caso das microempresas, a contrapartida exigida é de R$ 50 mil. O valor aumenta conforme o porte da empresa, de forma que as grandes empresas devem apresentar valor igual ao aportado pela Finep.

No debate de quinta-feira, a maior preocupação apresentada foi o prazo curto. As empresas terão de formalizar seu interesse até o dia 8 de agosto. O economista da CNI, Paulo Mol, ponderou que é um prazo curto para mobilizar as empresas. Vitor Saldanha disse que o Prominp enviou carta ao Ministério de Ciência e Tecnologia pedindo mais tempo.

O fortalecimento da cadeia produtiva nacional do petróleo é considerado um passo estratégico na exploração do petróleo no pré-sal. Além de inovar e melhorar a qualidade dos produtos fabricados no País, é preciso que a indústria ganhe escala para poder competir com os fornecedores estrangeiros na exploração do pré-sal.

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