Finep quer dobrar volume de crédito para pesquisa até 2014

Novo presidente da agência de fomento, Glauco Arbix, disse que expectativa é desembolsar, em média, R$ 2 bilhões por ano no governo Dilma

Alexandre Rodrigues, da Agência Estado,

28 de janeiro de 2011 | 15h26

O novo presidente da Finep, Glauco Arbix, disse nesta sexta-feira, 28, que a agência de fomento à inovação pretende dobrar o volume de crédito da instituição para pesquisa e desenvolvimento nas empresas até 2014. Com isso, a expectativa é desembolsar, em média, R$ 2 bilhões por ano no governo Dilma, demandando R$ 4 bilhões adicionais ao atual orçamento da Finep em quatro anos.

No ano passado, a execução de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) pela Finep alcançou R$ 3,1 bilhões, a maior parte para subvenções a pesquisas. Os empréstimos para projetos de empresas somaram R$ 1,21 bilhão, dez vezes mais do que em 2002.

"Esse processo de capitalização da Finep precisa continuar, duplicando a capacidade de crédito em quatro anos para duplicar o número de empresas que são apoiadas para inovar", disse Arbix, que tomou posse hoje no cargo em cerimônia no Rio que teve a presença do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloísio Mercadante. O ministro, que não quis dar entrevista, reafirmou no discurso a intenção de transformar a Finep numa instituição financeira mais próxima ao formato de um banco.

Em seguida, Arbix explicou que esse objetivo pode levar até três anos para ser alcançado. Segundo ele, o modelo ainda não foi definido, mas a Finep já iniciou conversas com o Banco Central para encontrar uma forma de se transformar num banco de fomento de estatuto especial.

Essa condição daria à Finep mais instrumentos de captação de recursos, assim como protegeria a instituição de contingenciamentos. Por outro lado, a dificuldade de medir o risco das operações de financiamento a inovação demandaria exigências mais brandas em relação à exposição da instituição.

"No Brasil não tem nada parecido com isso. Essa discussão ainda não está acabada", disse Arbix, em entrevista coletiva. Segundo ele, também a forma de capitalização da Finep que acompanharia a mudança do perfil institucional da agência ainda não foi definida. Poderia ser feita por meio de aportes do Tesouro Nacional ou via captação no mercado.

No discurso de posse, Arbix afirmou que a Finep já precisa de mais recursos este ano para dar conta do aumento da demanda por projetos. Depois, explicou que, mesmo que a contenção fiscal do governo impeça o objetivo de dobrar as liberações de crédito este ano, espera compensações nos anos seguintes.

Sociólogo, ex-presidente do Ipea e professor da USP, Arbix substituiu Luiz Manuel Fernandes, que estava à frente da Finep desde junho de 2007.

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