Fipe vê piora da inflação no fechamento do mês

Segundo o instituto, a maioria dos preços de produtos que compõem o Índice de Preços ao Consumidor deve avançar no final de outubro

Denise Abarca, da Agência Estado,

25 de outubro de 2011 | 14h47

A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) estima que boa parte dos grupos que compõem o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) terá avanço no fechamento de outubro, ante o comportamento mostrado na terceira quadrissemana do mês. A previsão do coordenador-adjunto do IPC, Rafael Costa Lima, é de que o índice acelere para 0,38%, ante 0,34% na terceira leitura do mês e 0,25% no encerramento de setembro. Como ocorreu no indicador divulgado nesta terça-feira, o movimento deve continuar sendo determinado pelas pressões do grupo Habitação, que têm reunido uma série de pesadas influências de preços administrados.

O grupo ganhou força da segunda para a terceira quadrissemana do mês, passando de 0,43% para 0,58%, e respondeu por 52,75% do IPC Geral de 0,34%. Para o fechamento de outubro, a pressão deve se exacerbar e, na previsão da Fipe, o grupo deve atingir 0,65%. O impacto do reajuste de 6,83% nas tarifas de água e esgoto em São Paulo começará a ficar mais forte na inflação, com pico previsto para a primeira quadrissemana de novembro, quando o item Água e Esgoto deve ter avanço de 4,84%. "Esse impacto deve continuar entrando nas contas dos consumidores nas próximas três semanas", afirmou Costa Lima.

No IPC divulgado hoje, a alta em Água e Esgoto foi de 3,52%, liderando o ranking de aumentos entre os itens que mais contribuíram para a inflação. Mas, além da influência do reajuste nas tarifas de água e esgoto sobre Habitação, o grupo sofre ainda com a pressão de outros itens considerados preços administrados, como tarifas de energia elétrica (+0,95%), gás de botijão (+2,44%) e condomínio (+1,26%). Tais itens figuraram, respectivamente, em segundo, quarto e quinto lugares no ranking. Em terceiro, aparece passagem aérea (+5,98%).

Já o ranking de quedas dos itens que mais contribuíram para o IPC foi liderado por automóvel novo, com deflação de 1,19%. "Talvez esse segmento já esteja sentindo o efeito do aumento do IPI (para carros importados)", disse o economista. O governo havia anunciado aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 30 pontos porcentuais para montadoras que não tiverem 65% de conteúdo nacional em seus automóveis e caminhões, entre outras exigências, válido a partir do dia 16 de setembro. Mas no último dia 2 o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a cobrança. De acordo com os ministros, a Constituição Federal determina que mudanças que impliquem aumento de tributos só podem vigorar 90 dias da publicação de decreto ou lei.

Costa Lima explica que, normalmente, tão logo o aumento do imposto é anunciado, a tendência é de crescimento da demanda antes da entrada em vigor da nova alíquota. Depois disso, a procura diminui, puxando para baixo os preços. De todo modo, segundo ele, entram nos cálculos da Fipe somente os carros nacionais, mas a medida acaba influenciando o setor como um todo.

Dentre os grupos que compõem o IPC, apenas Despesas Pessoais deve ter comportamento mais favorável no fechamento do mês, em relação à terceira quadrissemana, reduzindo a alta de 0,68% para 0,65%. Além de Habitação, outro segmento que deve acelerar no fechamento de outubro é Alimentação, para 0,52%, ante 0,47% na terceira quadrissemana. "Alimentação continua em patamares elevados, mas nada fora do controle. Semielaborados devem seguir pressionando, mas em ritmo mais leve. E in natura, também continuam caindo, mas também em ritmo menor", comentou o coordenador-adjunto do IPC.

Para Vestuário, que tem tido altos e baixos nas últimas quadrissemanas, a expectativa é de nova redução da deflação vista entre a segunda (-0,75%) e a terceira leitura (-0,60%). No fechamento, os preços devem cair menos ainda (-0,39%). "Deve fechar o mês ainda em queda, mas mais suave. O movimento tende a se esgotar em novembro, com as proximidades das festas de final de ano", disse o economista sobre Vestuário, revelando que na ponta os preços já estão em alta.

Costa Lima vê como normal os patamares mais elevados da inflação geral para esta época do ano. "Há aumento sensível de gastos do consumidor e uma série de fatores a pressionar os preços, mas nada fora do padrão. Não é o que foi visto no ano passado por exemplo, longe disso", comentou ele, referindo-se à alta de 1,04% do IPC em outubro de 2010.

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