Fitch rebaixa dívida da Grécia e põe em observação negativa

Segundo agência, rebaixamento reflete desafio enfrentado pelo país para implementar um programa de reformas estruturais e fiscais; banco central alemão alertou contra mudanças

Clarissa Mangueira e Danielle Chaves, da Agência Estado,

20 de maio de 2011 | 13h03

A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou os ratings de Probabilidade de Inadimplência do Emissor (IDR, em inglês) de longo prazo em moeda estrangeira e em moeda local da Grécia de BB+ para B+. O IDR de curto prazo continua em B. Todos os três ratings foram colocados sob observação negativa.

A agência também afirmou o teto país da zona do euro em AAA, que é aplicável a todos os países membros, incluindo a Grécia.

Segundo comunicado da Fitch, o rebaixamento do rating da Grécia reflete a escala do desafio enfrentado pelo país para implementar um radical programa de reforma estrutural e fiscal necessário para assegurar a solvência do Estado e as bases para uma recuperação econômica sustentada.

A agência destacou que o risco político para o país aumentou uma vez que outras medidas de austeridade fiscal são necessárias para cumprir a meta do déficit orçamentário para 2011, de 7,5% do PIB, devido ao fraco desempenho das receitas fiscais e do déficit mais elevado em 2010 do que o originalmente previsto.

Crise

O banco central da Alemanha, o Bundesbank, alertou contra a extensão dos vencimentos do bônus da Grécia. A instituição afirmou que uma "redefinição do perfil" da dívida do país tornaria os papéis inelegíveis como colateral para o banco central, o que resultaria em uma deficiência de recursos para os bancos gregos.

"Redefinir o perfil dos vencimentos dos bônus gregos não pode substituir o cumprimento do programa de ajuste" que estão sendo implementados pela Grécia, afirmou Jens Weidmann, presidente do Bundesbank.

A autoridade explicou que no atual ambiente do mercado, "se tornaria impossível aceitar os bônus gregos como colateral para operações de refinanciamento sob as regras existentes na estrutura de colaterais do Eurosystem e, consequentemente, grandes partes do setor financeiro grego seriam eliminadas dos financiamentos".

Os comentários de Weidmann foram feitos dois dias depois de Juergen Stark, um dos membros do conselho do Banco Central Europeu (BCE), alertar que tal movimento forçaria o BCE a parar de aceitar bônus do governo grego como colateral para empréstimos a bancos da Grécia.

Juntas, as declarações de Weidmann e Stark são a crítica mais explícita feita até agora à proposta de redefinição do perfil da dívida grega, que alguns defendem como a solução mais sustentável para os problemas fiscais da Grécia.

O euro caiu para menos de US$ 1,42 nesta sexta-feira, 20, enquanto os investidores reduziram posições longas por causa das persistentes preocupações com os problemas de dívida da zona do euro. O recuo da moeda acompanha o declínio das bolsas e do petróleo, indicando uma fuga do risco generalizada nos mercados. Às 11h25 (de Brasília), o euro caía para US$ 1,4163, de US$ 1,4313 no fim da tarde de ontem.

As informações são da Dow Jones.

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