Fleury mira classes A e B para crescer

Fleury mira classes A e B para crescer

Estratégia do laboratório é elevar rentabilidade com oferta de serviços em hospitais de alto padrão e reposicionamento de marcas

MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S. Paulo

13 de junho de 2015 | 03h00

Depois de uma forte onda de aquisições nos últimos anos para expandir suas operações fora do Estado de São Paulo, o Grupo Fleury decidiu mudar sua estratégia de negócios. A diversificação não faz mais parte do foco da companhia, que quer se concentrar nas classes A e B. Os esforços da empresa estão sendo destinados ao fortalecimento das marcas premium Fleury, Felippe Mattoso, no Rio, e Weinmann, no Sul do País. As bandeiras a+ e Labs D’Or, que tinham apelo mais popular, estão sendo reposicionadas para atender a classe B.

Com oito anos de casa e desde setembro na presidência do grupo, Carlos Marinelli diz que o caminho natural para a companhia aumentar sua rentabilidade é o mercado premium. Ou seja, o Fleury não vai se popularizar e quer se consolidar no mercado mais elitista, cujos concorrentes são hospitais voltados para classe A, como o Albert Einstein, que contam com estruturas próprias de diagnóstico.

Neste ano, o grupo planeja investir R$ 189 milhões – 60% mais que os R$ 117,9 milhões do ano passado. A prioridade desses aportes será a expansão da marca premium Fleury. Em 2014, o grupo inaugurou um centro integrado de diagnóstico cardiológico e neurovascular e também investiu em um centro de diagnóstico voltado para o público feminino. No segundo semestre deste ano, inaugura uma nova unidade em Jundiaí (SP).

Em 2014, a receita líquida da companhia ficou em R$ 1,678 bilhão, praticamente estável em relação a 2013. O lucro líquido, contudo, teve um salto, no mesmo período, de 40,3%, para R$ 85,8 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) aumentou 10,9%, para R$ 308,3 milhões.

Segundo Marinelli, o grupo abriu mão de atender no último trimestre de 2013 a Unimed Rio, que respondia por 30% da receita da companhia no Estado, como parte da estratégia de aumentar a rentabilidade. A empresa também desistiu de atender outros prestadores de serviços em outros Estados com o mesmo objetivo. “A perda da receita no Rio tem sido compensada com outros fornecedores.”

Outra maneira de a companhia elevar sua rentabilidade será na prestação de serviços para hospitais, como já ocorre no Sírio Libanês, Hospital Samaritano, Oswaldo Cruz e São Luiz, em São Paulo, onde o Fleury é responsável pelos exames.

Até 2002, a atuação da companhia estava concentrada em São Paulo. Desde então, o grupo deu início a um movimento acelerado de consolidação para expandir sua presença para fora do Estado, afirmou Marinelli. A companhia decidiu abrir capital em 2009 como forma de buscar dinheiro novo para seguir sua expansão. Entre 2009 e 2014, investiu R$ 1,32 bilhão em aquisições. Em 2012, comprou a Papaiz, empresa que faz exames de radiografia odontológica, que não fazia parte do negócio do grupo.

Para Victor Falzoni, analista do Brasil Plural, os recentes passos do Fleury para elevar a rentabilidade são considerados positivos pelo mercado, mas a companhia ainda tem de resolver a questão societária. “O mercado quer saber o que os controladores querem fazer com a empresa.”

Consolidação. Nos últimos anos, o que se viu no setor de diagnósticos foi um movimento estratégico de crescimento acelerado. O grupo Dasa, que hoje é considerado o maior da área, também tem um histórico de consolidação e agora está deixando o Novo Mercado, que é segmento da Bolsa com as mais elevadas exigências de governança corporativa.

“Essas empresas, que atraem o interesse de diversos investidores nacionais e estrangeiros, enfrentam margens comprimidas, problemas de negociação com prestadores de serviços, pressão da fonte pagadora e de planos de saúde”, diz Falzoni.

No ano passado, a Gávea Investimentos tentou unir o grupo Fleury ao laboratório mineiro Hermes Pardini. Depois de meses de negociação, a transação não foi concretizada. Fontes afirmaram ao Estado que os acionistas do Hermes Pardini não concordaram com os termos da fusão, que precificaram o laboratório com valor muito inferior ao do Fleury. Para tentar fechar a operação, a Gávea negociou aporte com vários fundos soberanos. Hoje, parte desses fundos quer se tornar sócio minoritário do Fleury.

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