Matt Stroshane/Walt Disney World
Matt Stroshane/Walt Disney World

Senado da Flórida aprova projeto de lei que retira benefícios fiscais da Disney

Oposição da companhia a legislação sobre identidade de gênero levou a batalha com governador do Estado; Disney, que há 55 anos fazia as próprias regras dentro de seus parques, perderá essa prerrogativa

Da Redação, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2022 | 17h29

O Senado do Estado da Flórida aprovou nesta quarta-feira, 20, uma nova legilsação que retira da Disney os privilégios de tratar a área de seu parque como um "Estado independente". Com a decisão da Casa majoritariamente republicana, cai um privilégio que o estúdio de cinema teve por mais de 55 anos.

O texto ainda deve passar pela Câmara do Estado, também dominada por conservadores. O governador Ron DeSantis deve sancionar a lei, que passará a ter efeito a partir de junho de 2023. DeSantis se manifestou contra a Disney depois que a companhia, a maior empregadora privado do estado, suspendeu as doações políticas na Flórida e também condenou uma nova lei estadual de educação que a oposição apelidou de “Don’t Say Gay” ("Não diga gay"), relacionada à questão da identidade de gênero.

A área que abrange a Disney World, criada em 1967, essencialmente permite que a companhia, que emprega cerca de 80 mil pessoas, funcione como seu próprio governo municipal. A zona especial da Disney é chamada de Reedy Creek Improvement District e dá à empresa um considerável controle sobre o processo de planejamento e licenciamento para construção em sua propriedade, incluindo construção de estradas. 

A Reedy Creek também cobra impostos e adminsitra seus próprios batalhões de incêndio e resposta médica, entre outros serviços. A Disney World também gera parte de sua própria eletricidade.

'Don't Say Gay'

DeSantis e Disney começaram a discutir publicamente no mês passado depois que a empresa condenou a lei Parental Rights in Education (Direitos dos Pais na Educação, em tradução livre), que, entre diversos pontos, restringe a discussão sobre orientação sexual e identidade de gênero nas salas de aula da Flórida. Essa lei foi apelidada de "Don't Say Gay".

“Nosso objetivo como empresa é conseguir que essa lei seja revogada pelo Legislativo ou derrubada nos tribunais e continuamos comprometidos em dar suporte às organizações nacionais e estaduais que trabalham por esse objetivo”, disse a Disney, em comunicado no último dia 28 de março, data em que DeSantis sancionou o texto.

A Disney inicialmente tentou não tomar partido da medida, pelo menos publicamente, o que provocou revolta dos funcionários. Em resposta, DeSantis voltou o foco para a Disney, classificando a empresa como “woke” (termo político de origem afro-americana que refere-se ao despertar de consciência racial e social) e enviando um email de arrecadação de fundos para apoiadores, em que dizia que a companhia “perdeu qualquer autoridade moral para dizer o que fazer”. 

Foi então que alguns legisladores da Flórida começaram a ameaçar a empresa com a revogação do distrito fiscal especial da Disney World. Procurada pela reportagem, a Disney não quis comentar o caso. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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