Fluxo de capital para emergentes despenca 41% e cairá mais

Banco Mundial prevê nova redução no volume de recursos em 2009, de 48%, antes da recuperação em 2010

Nathália Ferreira, da Agência Estado,

22 de junho de 2009 | 08h00

A recessão econômica global e a crise nos mercados financeiros atingiram duramente o fluxo de capital privado para os países em desenvolvimento, afirma o relatório "Finanças em Desenvolvimento Global 2009: Traçando uma Recuperação Mundial", divulgado nesta segunda-feira, 22, pelo Banco Mundial.

 

Veja também:

linkBanco Mundial prevê queda de 1,1% no PIB brasileiro em 2009

especialAs medidas do Brasil contra a crise

especialAs medidas do emprego

especialDe olho nos sintomas da crise econômica 

especialDicionário da crise 

especialLições de 29

especialComo o mundo reage à crise 

 

Segundo o documento, o volume de recursos, que despencou 41% entre 2007 e 2008, de US$ 1,2 trilhão para US$ 707 bilhões, deve cair novamente este ano, para apenas US$ 363 bilhões - redução de 48%, antes de se recuperar em 2010. O investimento estrangeiro direto (IED) para essas nações deve registrar este ano a primeira queda em uma década.

 

A queda no fluxo de capital para as nações em desenvolvimento no ano passado reverteu uma tendência de alta iniciada em 2003, que atingiu o pico de US$ 1,2 trilhão em 2007. Ao mesmo tempo em que os ingressos diminuíram, as saídas líquidas de capital aumentaram. Segundo estimativas do Banco Mundial, a saída de capital atingiu US$ 244 bilhões em 2008, acima dos US$ 190 bilhões de 2007.

 

Os países emergentes da Europa emergente e a Ásia Central responderam por 50% do declínio no fluxo de capital. Mas a desaceleração atingiu outras regiões em desenvolvimento, com exceção do Oriente Médio e da África do Norte, afirmou o banco.

 

"A crescente integração das economias em desenvolvimento na economia global, e a importância crescente das empresas e famílias dessas nações nas finanças internacionais na última década, trouxeram enormes benefícios econômicos e financeiros. Mas os mesmos desdobramentos aumentaram o alcance das turbulências econômicas quando as condições globais se deterioraram", afirmou o Banco Mundial.

 

"Os países em desenvolvimento são muito mais dependentes do fluxo de capital privado hoje do que durante os anos 1990", completou a instituição, acrescentando que nos últimos três anos mais de um terço dos países em desenvolvimento recebeu fluxo de capital privado que superou 6% do Produto Interno Bruto.

 

De acordo com o relatório, a desaceleração na economia global este ano deve continuar reduzindo o interesse dos credores nos países em desenvolvimento e diminuindo o fluxo de investimento.

Em relação ao investimento estrangeiro direto para os países em desenvolvimento, a previsão é de que ele caia 30% este ano para US$ 385 bilhões. Se concretizada, seria também a primeira queda de mais de 10% desde 1986.

 

"Um indicador preliminar do declínio projetado no IED é a desaceleração nas fusões e aquisições entre fronteiras nos países em desenvolvimento", disse o Banco Mundial, lembrando que a atividade de fusões e aquisições foi um dos principais motores do IED nas nações em desenvolvimento nos últimos anos, representando mais de 30% do investimento total.

 

Para o Banco Mundial, o impacto total da crise nos países em desenvolvimento, em termos de fluxo financeiro internacional e economia real, só se tornará aparente mais tarde este ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.