FMI anuncia linha de crédito preventivo para países em desenvolvimento

Programa vai oferecer empréstimos equivalentes a até cinco vezes a cota do país no FMI

Ligia Sanchez, da Agência Estado,

30 de agosto de 2010 | 16h34

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou que ampliará os tipos de empréstimos que oferece atualmente para encorajar um grande número de países em desenvolvimento a obter ajuda financeira antes que eles sejam atingidos por uma crise.

Segundo o órgão, será criada uma "linha de crédito preventivo" por meio da qual países cujas políticas são, em termos gerais, endossadas pelo FMI poderão receber empréstimos substanciais antes que surjam problemas. O empréstimo funcionará como uma linha de crédito, de modo que o país não precisará necessariamente usar o dinheiro, exceto se precisar dos recursos.

O programa vai oferecer empréstimos equivalentes a até cinco vezes a cota do país no FMI, com a possibilidade de dobrar a quantia depois de um ano. A Indonésia, por exemplo, que detém uma cota de US$ 3,1 bilhões, teria direito a uma linha de crédito de até US$ 31 bilhões.

Ainda não está claro se muitos dos 187 membros do FMI terão direito ou estarão interessados na nova linha de crédito. Isto porque esta linha destina-se a países com políticas que o fundo geralmente apoia, mas que possuem problemas em uma ou duas das seguintes áreas: abertura comercial, política fiscal, política monetária, estabilidade do setor financeiro e disponibilidade de informação financeira.

Se o FMI julga que o setor financeiro de um país está fraco, por exemplo, pode insistir que sejam feitas mudanças nessa área como condição para conceder o empréstimo - talvez por aumento de regulação ou venda de bancos estatais com prejuízo. Todas as linhas de crédito preventivo vão exigir alguma alteração política por parte do tomador do empréstimo.

Os potenciais tomadores podem temer que tal situação indique fragilidade aos mercados, em vez de força. O FMI tem tido dificuldades em convencer principalmente as nações asiáticas a tomar empréstimos do fundo, em parte porque estes países acreditam que os financiamentos do FMI carregam um estigma no mercado.

Autoridades do órgão não revelaram quais países estão sendo considerados para as linhas de crédito preventivo ou se algum membro expressou interesse.

No fundo, o FMI está criando uma hierarquia de tomadores de empréstimo. Para os países cujas políticas como um todo o órgão aprova - a lista A - ele provê fundos por meio da chamada "linha de crédito flexível" e não exige que façam qualquer mudança nas políticas econômicas. Além disso, o FMI anunciou o aumento da duração de tais disposições de empréstimos para dois anos e afirmou que as linhas de crédito não serão mais limitadas a determinada quantia relacionada à cota do país.

Apenas três países solicitaram as linhas de crédito flexível: México, Colômbia e Polônia. Os países da lista B seriam classificados para as novas linhas de crédito preventivo. O restante continua a tomar empréstimos sob as disposições de crédito tradicionais, que acarretam análises detalhadas e exigências de que os tomadores façam mudanças significativas em suas políticas. Durante a crise financeira global, muitas nações precisaram reduzir orçamentos e alterar os sistemas previdenciários.

O FMI ainda está desenvolvendo outro novo empréstimo, o "mecanismo de estabilização global", que será disponibilizado a grupos de países, como um modo de superar o estigma de empréstimo do FMI. O fundo também considera aprovar países para tais empréstimos sem que eles solicitem o dinheiro.

A Coreia do Sul, em especial, está defendendo o empréstimo regional como uma maneira de melhorar as relações entre o FMI e nações asiáticas, que têm evitado o fundo desde a crise financeira na Ásia, há dez anos. Os coreanos incluíram a proposta em sua agenda para o encontro das 20 nações mais desenvolvidas (G-20), em novembro, em Seul. Mas a Alemanha e outros países resistem a esta iniciativa porque temem que o FMI não seja rígido o suficiente com tomadores cujas políticas econômicas precisam de reforma. As informações são da Dow Jones. 

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