FMI defende política do Fed e pede ajuste em outros países

Para economista-chefe do Fundo, EUA têm de fazer o que for necessário para sustentar o crescimento do país

Regina Cardeal, da Agência Estado,

26 de maio de 2011 | 13h36

O Fed tem de fazer o que for necessário para sustentar o crescimento dos EUA e as taxas de juro dos EUA permanecerão baixas por boa parte deste ano e do próximo, disse o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Olivier Blanchard, em seminário sobre fluxos de capitais, promovido pelo FMI, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, 26.

"A necessidade de taxas de juro muito baixas para sustentar o crescimento da demanda e, portanto, o crescimento econômico continuará por, seguramente, mais um ano", disse Blanchard em entrevista. A política do Fed de juro baixo e afrouxamento quantitativo "desencadearam fluxos de capitais, mas isso é parte do ajuste normal", disse o economista. "Sabemos que os juros baixos tipicamente vêm com uma desvalorização da taxa de câmbio."

Blanchard disse que os países precisam adotar as ferramentas necessárias para lidar com as taxas de juro reduzidas no mundo industrializado. "O Fed tem de fazer o que for necessário com a política monetária e outros países têm de se ajustar usando os instrumentos que eles têm", afirmou.

A economia dos EUA está fraca por razões que não vão desaparecer, disse Blanchard. Os consumidores dos EUA provavelmente terão de poupar mais, enquanto os gastos do governo terão de ser contidos, opinou. O investimento continuará baixo, particularmente em moradia, setor que está "morto e continuará morto por um tempo".

"A única esperança para uma recuperação forte são as exportações e isso não está acontecendo num ritmo muito rápido." Um risco para o mundo avançado seria o impacto dos preços elevados das commodities e do petróleo sobre a inflação, mas mesmo esta probabilidade parece baixa, afirmou.

A inflação é um "não-tema para os EUA e não é um grande tema na Europa", disse Blanchard. Embora as taxas de juro baixas em países avançados tenham desempenhado um papel na geração dos fortes fluxos de capitais para alguns mercados emergentes, é errado dizer que a segunda rodada da afrouxamento quantitativo do Fed tenha tido qualquer impacto importante, afirmou Blanchard.

"Acho que a segunda rodada de afrouxamento quantitativo é um evento muito menor do que se diz", afirmou. Blanchard disse ainda a percepção do FMI é de que não há um aquecimento excessivo na China. O crescimento vai desacelerar "um pouco", mas esperar um crescimento de 7% ao ano do PIB no médio prazo é "provavelmente realista", disse. As informações são da Dow Jones.

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