FMI destaca o crescimento contínuo do crédito no Brasil

Em relatório, Fundo aponta importância do papel do BNDES no financiamento

Luciana Antonello Xavier, correspondente da Agência Estado,

18 de abril de 2012 | 10h27

NOVA YORK - O rápido crescimento do crédito no Brasil nos últimos anos, especialmente o papel do BNDES, é colocado em destaque pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no Relatório de Estabilidade Financeira Global, divulgado nesta quarta-feira. Segundo o FMI, o País experimentou um crescimento anual do crédito de cerca de 20% entre 2008 e 2011 e esse rápido crescimento tem sido liderado pelo BNDES, cuja atuação ajudou a limitar o impacto do colapso do Lehman Brothers na economia brasileira ao longo de 2009.

"Mas a contínua expansão dos balanços patrimoniais dos bancos públicos e privados já tem provocado aumento nas taxas de empréstimos inadimplentes, particularmente no segmento de pessoas físicas", observa o relatório. "Nessas circunstâncias, o espaço para o uso do canal de crédito para conter choques negativos pode se mostrar limitado", alerta o FMI.

Países emergentes

O relatório também destacou que o fluxo de entrada de capital retornou fortemente aos mercados emergentes uma vez que os temores em relação aos riscos vindos da Europa diminuíram, mas mostrou dúvida sobre se esse movimento deve continuar por muito tempo. "A volatilidade no fluxo de capitais para os emergentes aumentou, mas a direção é altamente incerta", diz o FMI.

Para o órgão, os emergentes devem estar preparados para uma saída repentina de capital caso o cenário global se torne novamente mais adverso e cresça de novo a aversão ao risco. As autoridades também devem estar prontas para usar o espaço de políticas existentes para amortecer choques externos negativos. "O desafio chave será controlar potenciais contágios da zona do euro na Europa emergente e em outras economias mais expostas", diz o relatório.

O relatório lembra que o otimismo renovado mais recente tem estimulado um rali no mercado de ações especialmente no Brasil, Índia e Turquia e que como resposta ao pesado fluxo de capital, autoridades têm adotado o uso apropriado de políticas macroeconômicas. "O uso cauteloso de medidas para fluxo de capital pode ter uma papel de apoio", diz.

Cenário global

O cenário financeiro global está melhor agora do que no ano passado, segundo o FMI, mas os relatórios divulgados nesta semana alertam que os perigos seguem no caminho. "Os riscos à estabilidade financeira global permanecem elevados", diz o FMI.

Para o fundo, a recuperação duradoura da confiança dos mercados "levará tempo". O órgão ressalta que financiar a dívida pública ainda pode se mostrar um desafio para alguns países na zona do euro. O FMI diz que as autoridades souberam agir para estabilizar os mercados soberanos, mas que agora precisam aproveitar para implementar políticas que garantam estabilidade mais duradoura. E esse é um recado não somente para a zona do euro.

"Os altos déficits dos Estados Unidos e do Japão impõem riscos elevados à estabilidade financeira", diz o documento. "Houve pouco progresso até agora em colocar em prática estratégias para tratar do problema, em contraste com o que está ocorrendo na Europa". Segundo o FMI, esses dois países precisam adotar planos críveis de vários anos para reduzir seus déficits.

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