FMI eleva previsão do PIB global, mas alerta para crise fiscal

Em relatório, FMI reviu de 3,9% para 4,2% a estimativa de crescimento global para 2010; PIB do Brasil deve avançar 5,5%

Reuters,

21 de abril de 2010 | 10h57

A economia global se recuperou da recessão mais rapidamente do que se previa, mas os pacotes de estímulo fiscal promovidos por vários governos pioraram a situação das finanças públicas, deixando os países vulneráveis a novos choques, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI) na quarta-feira.

 

Em sua Perspectiva Econômica Mundial, o FMI reviu de 3,9% para 4,2% a sua estimativa de crescimento econômico global para 2010, e manteve em 4,3% a previsão para 2011.

 

Para o Brasil, a perspectiva foi revisada para 5,5%. Em janeiro, o Fundo tinha previsto um crescimento da economia brasileira de 4,7 % em 2010 e 3,7% em 2011. A economia do Brasil cresceu 5,1% em 2008 e se contraiu 0,2% em 2009, segundo os números do FMI. A instituição multilateral calcula que em 2011 o Produto Interno Bruto do Brasil crescerá 4,1%.

 

"Espera-se que o crescimento econômico no Brasil suba em 2010 liderado pelo forte consumo e o investimento no setor privado", ressaltou o relatório. O FMI coloca o Brasil como um exemplo de onde será necessária a desativação das políticas de estímulo assim que sejam evidentes os riscos de "reaquecimento" ou uma "dinâmica de endividamento adversa".

De acordo com as projeções do FMI o Índice de Preços ao Consumidor do Brasil, que em 2008 tinha subido 5,7% e 4,9%em 2009, aumentará este ano 5,1% e ficará em 4,6% em 2011. A conta corrente do país, que em 2008 mostrou um déficit equivalente a 1,7% do PIB e 1,5 % do ano seguinte, fechará este ano com um déficit de 2,9%.

Segundo o FMI o déficit por conta corrente do Brasil será equivalente a 2,9% do PIB em 2011.

 

Demais países

 

"A perspectiva para a atividade permanece excepcionalmente incerta", disse o fundo, citando as dívidas públicas como a principal ameaça. "A maior preocupação é de que a margem de manobra política em muitas economias avançadas tenha sido em grande parte esgotada ou se tornado muito mais limitada, deixando essas frágeis recuperações expostas a novos choques", disse o documento.

 

As economias emergentes devem liderar a recuperação global, com previsão de crescerem em 2010 quase o triplo da média das economias avançadas.

 

Segundo o FMI, países emergentes e em desenvolvimento devem crescer 6,3% neste ano e 6,5% no próximo. Nos países avançados, a perspectiva é de 2,3% e 2,4%, respectivamente.

 

A China terá novamente o maior crescimento - 10% neste ano e 9,9% em 2011. Brasil, Índia e Indonésia também são citados pelo FMI como protagonistas de sólidas recuperações.

 

Dívida

 

Já os países ricos enfrentam um problema crescente com suas contas, e a proporção entre divida e PIB já se aproxima dos valores da época da Segunda Guerra Mundial.

 

Embora o FMI tenha conclamado os países a adotarem "urgentemente" estratégias críveis de redução de dívidas, o órgão afirmou que as medidas de estímulo programadas para 2010 devem ser mantidas, porque a recuperação ainda é frágil e o desemprego está elevado.

 

Os reiterados alertas do FMI sobre a dívida pública parecem ganhar mais pertinência nos últimos meses, quando a crise fiscal da Grécia eleva os gastos do crédito e leva instituições multilaterais a cogitarem um pacote de resgate do país.

 

O Fundo disse que a consolidação fiscal é prioridade máxima para diversos países, e deve estar acima da normalização das taxas de juros, levadas a valores excepcionalmente baixos no auge da crise.

 

Pela avaliação do FMI, a eventual retirada dos estímulos fiscais reduziria os gastos públicos apenas em cerca de 1,5% do PIB, e os países precisariam fazer o triplo de cortes para estabilizar sua relação dívida/PIB nos níveis atuais.

 

Restaurar a relação dívida/PIB de antes da crise exige ajustes ainda mais incisivos, provavelmente com elevação da carga tributária e cortes em gastos públicos, inclusive com previdência.

 

"Como estão, os atuais programas típicos de benefícios (sociais) implicam compromissos extra-balanços bem superiores à real dívida pública", disse o FMI.

 

(Por Lesley Wroughton e Emily Kaiser, da Reuters, e EFE)

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