FMI estuda linha de crédito para grupo de países em tempos de crise

Empréstimo seria concedido a países que pedissem ou não ajuda ao Fundo; 'linha de crédito multipaíses' ficaria disponível às nações com políticas consideradas sadias pelo FMI

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

26 de fevereiro de 2010 | 14h50

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está estudando um empréstimo de bilhões de dólares que seria concedido durante crises e forneceria dinheiro a países que pedissem ou não por ajuda, de acordo com o Wall Street Jornal.

 

De acordo com a "linha de crédito multipaíses" o FMI poderá, pela primeira vez, tornar o dinheiro disponível para grupos de países que podem ser muito afetados durante as crises financeiras, em vez de nações individuais, disse um alto funcionário do FMI. Os países não terão necessidade de pedir o socorro.

 

O FMI tornará a linhas de crédito disponíveis para aqueles países cujas políticas o fundo considera sadias. As nações também não serão obrigadas a usar o dinheiro.

 

"O fundo poderá declarar que há um problema sistêmico e aqui está uma linha de crédito para os seguintes países", disse o funcionário do Fundo. Ele enfatizou que uma proposta formal não deverá estar pronta antes de setembro e ela ainda terá de ser aprovada pelo conselho de diretores do FMI.

 

Em um discurso previsto para a manhã desta sexta-feira, o presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, planeja fazer referência ao conceito. "Estamos atualmente explorando várias opções - inclusive linhas de crédito de curto prazo para grupos de países, que o fundo poderá ampliar em uma crise sistêmica", planeja destacar Strauss-Kahn, de acordo com observações preparadas para o evento.

 

O conceito de linha de crédito representa ainda uma reavaliação por parte do FMI sobre como o Fundo deve funcionar para evitar ou lidar com as crises.

 

Durante as últimas semanas, o Fundo sugeriu que os países possam buscar um nível mais elevado de inflação do que os bancos centrais tradicionalmente fazem, além de considerar o uso dos impostos e da regulamentação para limitar as oscilações de capital que poderiam inflar bolhas de ativos. Ambas as sugestões vão de encontro a anos de doutrina do FMI.

 

"O que nós procuramos é um novo foco e a capacidade de lidar com riscos sistêmicos", pretende dizer o presidente do FMI.

 

Durante a recente recessão global, o FMI relaxou seus pedidos usuais para que os países reduzam seus gastos e elevem as taxas de juro com o objetivo de se qualificarem para o recebimento de empréstimos de emergência.

 

O Fundo também criou um novo empréstimo, chamado de linha de crédito flexível, para países cujas políticas econômicas foram submetidas à sua revisão. Estes países não tiveram que cumprir com pedidos específicos para serem aprovados.

 

Mesmo assim, apenas três países pediram a linha de crédito do FMI: México, Colômbia e Polônia. Muitos outros não recorreram ao Fundo por temerem que a volta representaria um sinal de fraqueza aos mercados e à sua população. Na Ásia, especialmente, o FMI ainda é indesejável por causa das medidas rígidas que adotou durante a crise asiática de 1997 e 1998.

 

O "empréstimo multipaíses" tem como objetivo superar tais objeções. Ao tornarem o dinheiro disponível, as linhas de crédito, mesmo sem pedido, deverão diminuir o "estigma" ligado aos empréstimos do FMI, destacou o alto funcionário. A aprovação de um grupo de países, ao invés de uma nação individualmente, também ajudará a diminuir esse estigma e a reduzir a chance de que uma crise se espalhe de uma nação para outra.

 

O documento que o FMI está divulgando nesta sexta-feira sugere que o Fundo considera o "alerta precoce" de grandes riscos financeiros para o sistema econômico global como uma das suas futuras funções. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
FMI, crédito, países, crise, linha

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.