FMI revisa em baixa projeção de expansão da Alemanha em 2010 e 2011

Nova projeção do Fundo é de crescimento de 1,2% do país, abaixo da alta estimada em fevereiro de 1,5%

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

30 de março de 2010 | 12h21

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou em baixa sua projeção para o desempenho da economia alemã em 2010, prevendo expansão de 1,2%, abaixo do crescimento estimado em fevereiro de 1,5%. O fundo também cortou sua previsão para o crescimento em 2011, estimando expansão de 1,7% do PIB no ano que vem, de alta de 1,9% calculada em fevereiro.

 

O FMI observou que a recuperação econômica da Alemanha seguirá em ritmo moderado e que há riscos substanciais impostos pelo enfraquecimento do setor bancário e por um possível crescimento mais fraco do que o esperado da economia mundial.

 

"A economia alemã está retomando o terreno perdido na crise. O apoio de políticas, a reconstrução dos estoques e uma recuperação da demanda global impulsionaram a saída da economia da recessão", disse o FMI em relatório sobre o país. "A recuperação deve ser moderada", acrescentou o fundo. "A expansão das exportações está projetada para ser inferior ao nível pré-crise, as contínuas fragilidades do sistema bancário pressionam a oferta de crédito e o aumento do desemprego manterá os consumidores cautelosos", ponderou o fundo.

 

"Medidas para o setor financeiro ajudaram a estabilizar os mercados financeiros e a mitigar riscos sistêmicos, mas as vulnerabilidades permanecem", afirmou o FMI na nota.

 

O FMI também disse que o déficit orçamentário do governo da Alemanha - que inclui todos os orçamentos feitos a partir do setor público - é elevado para os padrões das regras constitucionais de dívida da Alemanha, que exigem um equilíbrio na estrutura fiscal federal próxima a zero a partir de 2016.

 

Há "necessidade de se iniciar a consolidação fiscal quando a recuperação se tornar sustentável, o que está previsto para 2011", disse o FMI. Qualquer corte de impostos em 2011, como o governo de coalizão de centro-direita prometeu se as condições do orçamento permitirem, "deve ser acompanhado por medidas orçamentárias compensatórias", observou o fundo.

 

Estima-se que o déficit do setor público da Alemanha irá crescer para 5,7% do PIB este ano, de 3,3% em 2009, e estreitar-se para 5,1% do PIB em 2011. A inflação deve acelerar-se levemente para uma taxa de 0,9% este ano, de 0,2% em 2009, e para 1% em 2011.

 

O FMI concluiu que a Alemanha deve desativar certas políticas trabalhistas introduzidas para manter o emprego durante a crise e deve realizar reformas estruturais para "promover o crescimento de longo prazo e a demanda doméstica". As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
FMIAlemanhaPIB

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.