Felipe Panfilli
Felipe Panfilli

Fontes de receita, eventos em SP voltam com restrições

Pelo menos 36 feiras, congressos, ou festas estão marcadas para ocorrer na capital paulista nos dois últimos meses do ano

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2021 | 23h30

Eventos com grande público e de forte impacto para a economia de São Paulo começaram a voltar a partir de agosto, mas os principais estão agendados para esse fim de ano. Em novembro e dezembro vão ocorrer 36 eventos só na capital paulista, de feiras e congressos a festividades como Oktoberfest e uma inédita vila de Natal.

A partir do dia 1º, as normas de restrição para controle da covid-19 serão afrouxadas, mas regras básicas como uso de máscara e distanciamento estão mantidas. Em todos os eventos serão também exigidos atestados de vacina ou teste feito nas últimas 48 horas.

No ano passado, com todos os eventos suspensos por causa da pandemia, o Estado perdeu receita de R$ 7,3 bilhões só com despesas de hospedagem e lazer de participantes de feiras de negócios e R$ 670 milhões com o adiamento do GP de Fórmula 1. O Grande Prêmio de Interlagos, de 12 a 14 de novembro, volta sem restrição de público e os ingressos, com preços a partir de R$ 325, estão praticamente esgotados, segundo os organizadores.

A previsão é de número superior ao de espectadores na corrida de 2019, que levou cerca de 150 mil pessoas ao autódromo. O impacto econômico também deve ser maior e 8,5 mil empregos temporários serão gerados. A Oktoberfest, a Campus Party e a Villa de Natal São Paulo, como é chamada, vão precisar, juntos, de 6 mil funcionários.

“A retomada de eventos se faz necessária pelo que representa para a economia”, afirma Walter Cavalheiro Filho, fundador e organizador da São Paulo Oktoberfest. Segundo ele, há uma demanda reprimida entre as pessoas após ficarem um ano e oito meses sem entretenimento”. A menos de 30 dias do evento, já foram vendidos 29 mil ingressos, a preços que vão de R$ 45 a R$ 180.

De acordo com Cavalheiro, o evento vai gerar 1,5 mil empregos e abrirá espaço para mais de 200 micro e pequenos empresários exporem e venderem seus produtos. Em sua quarta edição, a Oktoberfest será realizada em uma área de 22 mil metros quadrados na zona sul da capital paulista e terá limite de 6 mil pessoas a cada dia, embora o alvará permita até 15 mil. Será realizado de 25 de novembro a 12 de dezembro (sempre de quinta-feira a domingo).

Desde a primeira edição, a versão paulistana da tradicional festa de Munique, na Alemanha - que não será realizada pelo segundo ano seguido por causa da pandemia -, dobrou seu público, de 49 mil pessoas em 2017 para 102 mil em 2019. Como este ano haverá controle, são esperados 72 mil participantes.

O investimento este ano soma R$ 22 milhões, ante R$ 16 milhões em 2019. Já anunciaram patrocínio a Ambev, Aurora, Cepera, Grupo Vamos, Movida e CBCA (Companhia Brasileira de Cervejas Artesanais).

Bar nas alturas

Entre as novidades da Vila Alemã que será montada no espaço está o “bar nas alturas”. Uma estrutura com mesas e cadeiras com capacidade para 16 pessoas será elevada a 60 metros de altura por um guindaste, possibilitando ampla visão da região no entorno. Também haverá comidas e danças típicas, cervejas especiais e shows de Tiago Abravanel e Paulo Ricardo, entre outros.

São Paulo ganha um evento inédito neste ano, inspirado em celebrações natalinas de cidades europeias. A Villa de Natal levará ao Parque Villa Lobos a casa do Papai Noel, a cabana da Mamãe Noel e uma árvore de Natal com 65 metros de altura. A do Parque Ibirapuera costuma ter 42 metros.

A área de 22 mil metros quadrados também terá pista de patinação ecológica, vários brinquedos para as crianças, Aldeia Gastronômica e feira de artesanatos. Ficará aberta de 10 de dezembro a 6 de janeiro. Foram vendidos até agora 21 mil ingressos, que custam entre R$ 20 e R$ 40.

“Depois de tudo o que vivemos nesses quase dois anos, o público quer um pouco mais de um evento; ele vem em busca de uma experiência e a Villa de Natal vem nessa retomada dos grandes eventos”, afirma Soraia Carrasco, presidente da Live Now, organizadora da festa.

Após visitar vários países para conhecer as tradições locais, Soraia, que é arquiteta, trabalhou por dois anos no projeto que terá entre os patrocinadores uma gigante da alimentação e uma montadora, mas ela ainda não pode revelar nomes nem investimentos. “A ideia é resgatar a magia do Natal, que no ano passado não foi do jeito que costuma ser, de encontro das famílias”, diz Soraia, que pretende tornar a Villa um acontecimento anual.

Eventos cancelados

Em pesquisa feita no início do segundo semestre pela Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo foi identificado que metade dos eventos previstos para janeiro a junho foram cancelados, a maioria de cunho cultural. Entre as feiras, 16,6% não foram realizadas e as demais foram remarcadas para o segundo semestre, gerando uma concentração para este fim de ano.

Organizadores da Campus Party optaram por uma edição híbrida. Nos dias 11 e 12 de novembro a programação será virtual, e nos dias 13 e 15 o Centro de Eventos do Anhembi estará aberto ao público que quiser comparecer pessoalmente.

Serão vendidos apenas 3 mil ingressos para essa 13º edição, e só 700 pessoas poderão acampar no local. Até 2019, o maior evento de tecnologia do País recebeu, em média, 12 mil pessoas na área fechada e mais de 100 mil no espaço aberto. O evento gera 3 mil empregos temporários.

O ano vai terminar com a volta da também tradicional Corrida São Silvestre, no dia 31.

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