Sérgio Castro/Estadão
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Ford aposta na melhora do mercado e anuncia volta do 3º turno em Camaçari

Com a decisão, cerca de 400 trabalhadores do complexo baiano vão retornar ao trabalho; atualmente, apenas uma montadora no País, a Hyundai, de Piracicaba (SP), opera 24 horas

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2016 | 06h00

À espera de um crescimento “modesto” nas vendas totais de veículos no Brasil em 2017, e de expansão nas exportações, o presidente da Ford América do Sul, Lyle Watters, anunciou nesta sexta-feira, 11, que a fábrica de Camaçari, na Bahia, vai voltar a operar em três turnos de trabalho a partir de fevereiro.

Com a decisão, cerca de 400 trabalhadores do complexo baiano, que opera com fornecedores dentro das instalações, vão retornar do lay-off. Eles estavam com os contratos suspensos desde março, quando a Ford paralisou o terceiro turno na unidade. Hoje, apenas uma montadora, a Hyundai, de Piracicaba (SP), opera 24 horas.

“A oportunidade de reintroduzir o terceiro turno de produção em Camaçari é um sinal de um desempenho mais forte da Ford, apesar do cenário econômico desafiador”, disse Watters, por meio de um comunicado divulgado na tarde de ontem. “É uma medida que também ajuda a reforçar a nossa competitividade para reagir rapidamente às oportunidades do mercado.”

Na terça-feira, o executivo havia afirmado, durante o Salão do Automóvel de São Paulo, que estava otimista em relação à retomada do mercado de veículos, ainda que lentamente. “A recuperação está aí logo adiante”, disse.

Segundo a empresa, o retorno gradual do terceiro turno permitirá à Ford adequar suas operações de acordo com as necessidades para atender à crescente demanda no Brasil e na América do Sul pelos modelos Ka (hatch e sedã) e EcoSport, ambos produzidos na Bahia.

O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Cristiano Bonfim de Freitas, lembrou que, em março, mais de mil trabalhadores foram colocados em lay-off. Parte deles entrou em um programa de demissão voluntária (PDV) e outra parte já tinha voltado ao trabalho nos últimos meses.

Freitas afirmou ainda que, ao longo do período de afastamento, os cerca de 8 mil funcionários do complexo não aceitaram fazer horas extras.

Até outubro, as vendas das duas versões do compacto Ka somaram 81,3 mil unidades, 22% a menos em relação a igual período do ano passado. As vendas de 23,6 mil unidades do utilitário EcoSport foram 18% menores que as de igual período do ano passado. A montadora, contudo, têm registrado alta nas exportações, especialmente para a Argentina, mas não deu detalhes sobre isso.

De janeiro a outubro a Ford vendeu 146,6 mil automóveis e comerciais leves, ficando em sexto lugar no ranking de vendas das montadoras. Em 2015, estava na quarta posição, com 217 mil unidades. O mercado total de veículos do segmento caiu neste ano 22%, para 1,6 milhão de unidades.

Para 2017, executivos das principais montadoras do País têm apostas diferentes em relação ao mercado, que vão de repetição dos números deste ano, de cerca de 2 milhões de veículos, ou quase 20% a menos que em 2015, a crescimento que varia de 5% a 14%.

Demissões. Durante todo o ano, as montadoras adotaram medidas para evitar cortes, como lay-off, férias coletivas e Programa de Proteção ao Emprego (PPE). Ainda assim, 6,8 mil trabalhadores foram demitidos, boa parte por meio de PDVs, que oferecem salários extras a quem aderir.

Na fábrica de São Bernardo do Campo (SP), a Ford unificou as operações de automóveis e caminhões. Como a medida gerou um excedente de 850 trabalhadores (de um total de 4,5 mil), a empresa abriu um PDV com meta de 400 adesões e colocou os demais operários em lay-off por seis meses a partir de junho.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), hoje o setor mantém 2,4 mil funcionários em lay-off e 5,3 mil no PPE.

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