Ford/Divulgação
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Ford espera faturar R$ 500 milhões com venda de serviços de engenharia desenvolvidos no Brasil

Empresa deixou de produzir carros no País no ano passado, mas mantém um centro de pesquisa na Bahia, onde trabalham 1,5 mil engenheiros; equipe ajuda no desenvolvimento de veículos elétricos e autônomos para EUA e China

Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2022 | 19h37

A Ford não produz mais carros no Brasil, mas prevê faturar R$ 500 milhões neste ano em um novo negócio: exportação de engenharia. O centro de tecnologia da montadora no País vem sendo mais acionado para participar do desenvolvimento de carros produzidos, hoje e no futuro, pelo grupo no mundo. As frentes de trabalho incluem eletrificação, direção autônoma e conectividade e design, além da aplicação de materiais mais leves nos automóveis.

A montadora anunciou recentemente a contratação de 500 engenheiros e especialistas no centro de desenvolvimento, que funciona em seis prédios no complexo do Senai em Camaçari (BA). As instalações estão próximas de onde ficava a fábrica da Ford, mas não no mesmo local. Dos 1,5 mil funcionários que trabalham em serviços de engenharia, 85% se dedicam a projetos globais.

"Estamos exportando esses serviços e trazendo divisas para o Brasil e receita para o nosso negócio na região. A expectativa é continuar expandindo, pois a demanda continua crescendo", afirmou nesta sexta-feira, 01, Daniel Justo, presidente da Ford na América do Sul, ao anunciar a expectativa de receita de meio bilhão de reais com o centro de desenvolvimento.

Um terço das funcionalidades dos carros produzidos pela Ford no mundo - por exemplo iluminação, travamento de portas e climatização nos carros - passa por engenheiros da montadora no Brasil, que antes se dedicavam basicamente aos projetos locais. Mesmo que sejam prestados a outras operações dentro do grupo, a Ford recebe por esses serviços no Brasil.

Segundo Rogélio Golfarb, vice-presidente da Ford, a maioria dos projetos estão sendo desenvolvidos para os Estados Unidos e a China, os dois maiores mercados mundiais de veículos. Ele ressalta que, diferente dos automóveis produzidos no Brasil, que não conseguem competir com os globais, os serviços de engenharia são competitivos e a demanda por esse tipo de trabalho vem crescendo. "Há falta global de profissionais nessa área", diz.

Golfarb também informa que o centro vai além do desenvolvimento e tem também uma área de pesquisa com patentes já registradas, como a de grafeno, elemento mineral que é misturado com aço e outras ligas e tem apresentado bons resultados na redução do peso dos automóveis.

Transição para os elétricos 

O centro de desenvolvimento na Bahia é um dos nove da Ford no mundo e atua em projetos envolvendo, entre outros, o design de carros elétricos, sistemas de multimídia e carrocerias de veículos autônomos. Em todo o mundo, a Ford tem investimentos de US$ 50 bilhões, previstos até 2026, na transição rumo aos veículos elétricos.

Segundo Justo, o foco da engenharia da montadora no Brasil está na transição rápida para a eletrificação, ao invés do desenvolvimento de tecnologias movidas a etanol, como apostam os concorrentes locais que não acreditam na popularização rápida dos veículos elétricos. / COLABOROU CLEIDE SILVA

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